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Emergência & UTI • ATLS 11ª ed.

xABCDE do Trauma

A avaliação primária do trauma é uma sequência de prioridades que trata primeiro o que mata primeiro. Na 11ª edição do ATLS (2025), o mnemônico ABCDE ganhou um x inicial — o controle imediato de hemorragia exsanguinante externa quando ela é o risco dominante. A regra permanece: identificou uma ameaça à vida, resolve antes de seguir.

x — hemorragia exsanguinante Via aérea + coluna cervical Choque hemorrágico Glasgow e pupilas
Tempo de leitura: 11 min
Atualizado em: 17/07/2026

A sequência

  • x — hemorragia exsanguinante externa
  • A — via aérea + coluna cervical
  • B — respiração e ventilação
  • C — circulação e controle do sangramento
  • D — disfunção neurológica; E — exposição

x + A — vias aéreas

  • Compressão direta, torniquete, curativo hemostático
  • Via aérea pérvia com restrição da coluna cervical
  • Chin-lift / jaw-thrust, aspiração, cânulas
  • Via aérea definitiva se rebaixamento ou risco

B + C — vida imediata

  • Pneumotórax hipertensivo: descompressão imediata
  • Choque no trauma = hemorrágico até prova em contrário
  • Controle do sangramento + hemocomponentes 1:1:1
  • Ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas

D + E — não esquecer

  • Glasgow, pupilas e glicemia capilar
  • Sinais de herniação → medidas imediatas
  • Exposição completa e prevenção de hipotermia
  • Reavaliar do início a cada mudança

O que é a avaliação primária

A avaliação primária do trauma é uma abordagem sistemática e cronometrada para identificar e tratar, na ordem de prioridade, as condições que ameaçam a vida de forma mais imediata. As principais causas de morte precoce evitável no trauma são obstrução de via aérea, insuficiência respiratória, choque hemorrágico e lesão cerebral — e é exatamente sobre elas que o método atua.

A regra de ouro é tratar primeiro o que mata primeiro: cada letra só avança depois que a anterior está resolvida ou sob controle. Não se espera terminar toda a sequência para intervir — a ameaça é tratada no momento em que é identificada.

No trauma, hipotensão é choque hemorrágico até prova em contrário. Buscar e conter a fonte de sangramento é a intervenção que mais muda o desfecho.

O que muda no ATLS 11: o "x"

A 11ª edição do ATLS (lançada em 2025) reorganizou toda a estrutura do curso e refinou a abordagem clássica. A mudança mais visível é a inclusão da letra x no início do mnemônico: ABCDE passa a ser xABCDE.

O "x" representa o controle imediato de hemorragia externa exsanguinante. Quando há sangramento externo maciço e visível — tipicamente de extremidades —, contê-lo com compressão direta, torniquete ou curativo hemostático tem precedência mesmo sobre a via aérea, porque o exsanguinamento é uma ameaça à vida em segundos. Fora desse cenário específico, a sequência segue a ordem consagrada A → B → C → D → E.

O "x" não substitui o "C": ele antecipa apenas o controle da hemorragia externa evidente. A avaliação completa da circulação continua no passo C.

Antes de tocar no paciente

A avaliação primária começa antes da chegada: preparo da sala, EPI para toda a equipe (precaução universal), material de via aérea, aquecedor de fluidos, monitor e acionamento do protocolo de transfusão maciça quando previsto.

A passagem de plantão do pré-hospitalar segue um formato padronizado (por exemplo, o MIST: mecanismo, lesões identificadas, sinais vitais, tratamento realizado), enquanto a equipe já inicia o exame.

Triagem — a moldura do atendimento

  • Múltiplas vítimas com recursos suficientes: atende-se primeiro o mais grave e potencialmente recuperável.
  • Vítimas em massa com recursos insuficientes: prioriza-se o maior número de sobreviventes possível.
  • A avaliação primária pode começar durante a passagem de caso do pré-hospitalar.
  • Trabalho em equipe: em politraumatizados, várias etapas correm em paralelo.
A ordem é hierarquia, não cronologia

Em uma equipe treinada, A, B e C são frequentemente abordados ao mesmo tempo. A sequência xABCDE define a prioridade quando é preciso escolher.

Lesões que a avaliação primária busca

O exame primário é desenhado para flagrar as condições rapidamente fatais. Guardar esta lista ajuda a não perder tempo.

Via aérea

Obstrução por rebaixamento, corpo estranho, sangue, edema ou trauma direto de face e pescoço.

Respiração

Pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax maciço e tórax instável (flail chest).

Circulação

Hemorragia maciça externa ou interna e tamponamento cardíaco.

Neurológico

Hematomas intracranianos com sinais de hipertensão e herniação iminente.

Por que sistematizar

A morte no trauma tem distribuição classicamente descrita em três picos: imediata (lesões incompatíveis com a vida), precoce (primeiras horas — a "hora de ouro", onde o xABCDE atua) e tardia (dias a semanas, por sepse e disfunção de órgãos). A sistematização reduz lesões perdidas e organiza a ressuscitação.

Hora de ouro

Janela em que a intervenção precoce muda o desfecho.

Hemorragia

Causa mais comum de morte evitável no trauma.

Reavaliação

Piorou? Volte ao A. O exame é dinâmico.

Equipe

Etapas em paralelo, com liderança e comunicação claras.

Secundária

Só após primária e ressuscitação em curso.

x Hemorragia exsanguinante externa

Quando há sangramento externo maciço e visível, a prioridade é contê-lo antes de iniciar a via aérea — é a essência do "x" do ATLS 11. O objetivo é interromper a perda sanguínea catastrófica em segundos.

  1. Compressão direta firme sobre o foco de sangramento, com as duas mãos se necessário.
  2. Curativo compressivo; em sangramentos de junção, curativo hemostático empacotando a ferida.
  3. Torniquete em sangramento arterial de extremidade não controlável por compressão — aplicar proximal, apertar até parar o sangramento e anotar o horário.
  4. Estabilização pélvica com cinta (pelvic binder) quando há suspeita de fratura instável de pelve com sangramento.
Registre sempre o horário de colocação do torniquete. A conversão para outra medida hemostática é decisão do time cirúrgico.

A Via aérea com restrição da coluna cervical

Avaliar e garantir a permeabilidade da via aérea sempre protegendo a coluna cervical — todo politraumatizado tem lesão cervical até que seja descartada. Um paciente que fala com voz normal tem, naquele momento, via aérea pérvia e boa perfusão cerebral.

Sinais de via aérea em risco

  • Rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8).
  • Estridor, rouquidão, disfonia ou gorgolejo.
  • Trauma de face, pescoço ou queimadura de via aérea.
  • Agitação (hipóxia) ou apatia (hipercapnia).
  • Incapacidade de manejar as próprias secreções.

Escalonamento de condutas

  • Manobras manuais: chin-lift ou jaw-thrust (preferida na suspeita cervical).
  • Aspiração de sangue, secreções e corpos estranhos.
  • Cânula orofaríngea (se sem reflexo de vômito) ou nasofaríngea.
  • Via aérea definitiva: intubação orotraqueal em sequência rápida.
  • Via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia) no cenário "não intubo, não ventilo".
Restrição de movimento cervical

Colar cervical, imobilização em bloco e estabilização manual em linha durante a laringoscopia. A restrição não deve impedir o acesso à via aérea — a prioridade absoluta é oxigenar.

Via aérea definitiva — indicações

Considere via aérea definitiva (tubo com balonete na traqueia) diante de qualquer uma das situações abaixo. A intubação em sequência rápida é a técnica padrão, com estabilização cervical em linha.

  • Incapacidade de manter a via aérea pérvia por outros meios.
  • Incapacidade de manter oxigenação adequada apesar de suplementação.
  • Rebaixamento do nível de consciência, tipicamente Glasgow ≤ 8.
  • Risco iminente de perda da via aérea: queimadura inalatória, hematoma cervical expansivo, trauma maxilofacial grave.
  • Necessidade de sedação/analgesia profunda ou paciente combativo que impede a avaliação.
Antecipe a via aérea difícil no trauma. Tenha videolaringoscópio, dispositivo supraglótico e kit de cricotireoidostomia prontos antes de sedar.

B Respiração e ventilação

Via aérea pérvia não garante ventilação adequada. Nesta etapa, expõe-se o tórax e avalia-se de forma dirigida: inspeção (expansibilidade, ferimentos, esforço), palpação, percussão e ausculta, além de oximetria. O objetivo é detectar e tratar as lesões torácicas rapidamente fatais.

Ofereça oxigênio de alto fluxo a todo politraumatizado grave, com alvo de SpO₂ ≥ 94%. A capnografia orienta a ventilação após a intubação.

Lesões torácicas que matam no B

Lesão Reconhecimento Conduta imediata
Pneumotórax hipertensivo Dispneia intensa, hipotensão, timpanismo, murmúrio abolido, turgência jugular, desvio de traqueia (tardio). Diagnóstico é clínico. Descompressão imediata (punção com agulha ou toracostomia com o dedo) seguida de dreno de tórax. Não aguardar radiografia.
Pneumotórax aberto Ferida torácica soprante ("traumatopneia"), com ar entrando e saindo pelo orifício. Curativo de três pontas (valvulado) e, em seguida, dreno de tórax em local distinto da ferida.
Hemotórax maciço Choque com murmúrio abolido e macicez à percussão; ≥ 1500 mL de sangue no hemitórax. Reposição volêmica/hemocomponentes + dreno de tórax calibroso; avaliação cirúrgica (toracotomia).
Tórax instável (flail chest) Segmento com movimento paradoxal por fraturas múltiplas; contusão pulmonar associada. Analgesia, oxigênio e suporte ventilatório conforme a necessidade; vigiar a contusão pulmonar.
O tamponamento cardíaco também cursa com choque e pode se manifestar aqui, mas seu manejo pertence ao passo C (circulação).

Pneumotórax hipertensivo — não espere a imagem

É a lesão mais importante do B por ser rapidamente fatal e prontamente reversível. Diante de choque com murmúrio abolido de um lado, o diagnóstico é clínico e a descompressão é imediata — atrasar em busca de radiografia pode custar a vida do paciente.

Punção com agulha

2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou 4º–5º na linha axilar anterior (preferida em adultos, por menor espessura de parede).

Toracostomia

Descompressão com o dedo seguida de dreno de tórax é a medida definitiva.

C Circulação com controle da hemorragia

O foco do C é reconhecer o choque e conter a hemorragia. Avalie rapidamente nível de consciência, cor e temperatura da pele, tempo de enchimento capilar, pulsos (frequência e amplitude) e pressão arterial. A taquicardia costuma ser o primeiro sinal; a hipotensão é tardia, sobretudo em jovens que compensam bem.

  1. Comprimir focos de hemorragia externa (integra-se ao "x").
  2. Dois acessos venosos periféricos calibrosos (ou intraósseo, se falha do acesso).
  3. Coletar sangue: tipagem, prova cruzada, gasometria/lactato e teste de gravidez quando aplicável.
  4. Iniciar ressuscitação e buscar a fonte do sangramento (tórax, abdome, pelve, ossos longos, "sangramento no chão").
"Blood on the floor and four more": as cinco fontes de grande sangramento são o ambiente externo, tórax, abdome, pelve/retroperitônio e ossos longos.

Classes do choque hemorrágico (ATLS)

Estimativa baseada em perda percentual da volemia (adulto ≈ 70 mL/kg, ~5 L). Os limites entre classes se sobrepõem na prática; use como referência, não como verdade absoluta — a resposta à ressuscitação é o dado que mais orienta.

Parâmetro Classe I Classe II Classe III Classe IV
Perda (%)< 15%15–30%30–40%> 40%
Perda (mL)*< 750750–15001500–2000> 2000
FC (bpm)< 100100–120120–140> 140
PA sistólicaNormalNormalReduzidaMuito reduzida
Pressão de pulsoNormalReduzidaReduzidaReduzida
FR (irpm)14–2020–3030–40> 35
Diurese (mL/h)> 3020–305–15Desprezível
ConsciênciaNormal/ansiosoAnsiosoConfusoConfuso/letárgico
CondutaCristaloideCristaloideCristaloide + sangueHemocomponentes + cirurgia
*Estimativa para adulto de ~70 kg. Idosos, crianças, gestantes, atletas e pacientes em uso de betabloqueador podem não seguir esse padrão de sinais vitais.

Ressuscitação — controle de danos

A estratégia atual é a ressuscitação para controle de danos: minimizar cristaloide, priorizar hemocomponentes de forma balanceada e conter a fonte de sangramento o quanto antes. Fluido em excesso agrava a coagulopatia, a hipotermia e a acidose (a "tríade letal").

Adulto
1 L
Bolus de cristaloide aquecido; reavaliar a resposta antes de repetir
Ringer lactato preferencial
Pediátrico
20 mL/kg
Bolus; se persistir instável após 2 bolus, iniciar hemocomponentes (10–20 mL/kg)
Cristaloide aquecido
Hipotensão permissiva (alvo de PAS ~80–90 mmHg ou pulso radial presente) até o controle cirúrgico do sangramento — exceto no traumatismo cranioencefálico, em que se busca pressão de perfusão cerebral adequada.

A resposta aos primeiros fluidos classifica o paciente e orienta a urgência cirúrgica: respondedor rápido (estabiliza e mantém), respondedor transitório (melhora e volta a piorar — sangramento ativo) e não respondedor (instável — hemorragia grave ou choque não hemorrágico). Transitórios e não respondedores vão para controle definitivo da hemorragia.

Choque não hemorrágico no trauma

Antes de assumir que todo choque é hemorrágico, lembre das causas obstrutivas e distributivas que também aparecem no trauma — algumas exigem conduta específica e imediata.

  • Tamponamento cardíaco — tríade de Beck (hipotensão, bulhas abafadas, turgência jugular); FAST positivo no pericárdio. Conduta: pericardiocentese/toracotomia.
  • Pneumotórax hipertensivo — choque obstrutivo revertido pela descompressão.
  • Choque neurogênico — hipotensão com bradicardia e pele quente por lesão medular alta; requer vasopressor além de volume.

D Disfunção neurológica

Avaliação neurológica rápida: nível de consciência pela Escala de Coma de Glasgow (ECG), pupilas (tamanho, simetria e fotorreação) e sinais lateralizatórios. Sempre verifique a glicemia capilar — hipoglicemia é causa tratável e frequentemente esquecida de rebaixamento.

Rebaixamento agudo no trauma é lesão cerebral até prova em contrário, mas lembre também de hipóxia, hipotensão, álcool e drogas como fatores contribuintes.

Hipóxia e hipotensão dobram a mortalidade no traumatismo cranioencefálico. Proteger o cérebro é, antes de tudo, garantir A, B e C.

Calculadora — Escala de Coma de Glasgow

Ocular (1–4) Verbal (1–5) Motora (1–6)

Selecione a melhor resposta em cada domínio. O total varia de 3 a 15. Classificação clássica: leve 13–15, moderado 9–12, grave 3–8. Em crianças pequenas, use a versão pediátrica da escala (resposta verbal adaptada).

Total (O + V + M)
15
Detalhamento
O4 V5 M6
Gravidade
Leve
Glasgow ≤ 8 é o principal gatilho para via aérea definitiva. Registre sempre os três componentes separadamente (ex.: O2 V1 M4), pois o padrão motor é o de maior valor prognóstico.

Pupilas e sinais de herniação

Uma pupila dilatada e não reativa, sobretudo com hemiparesia contralateral e rebaixamento, sugere herniação uncal por hematoma expansivo — emergência neurocirúrgica.

Anisocoria fixa

Pupila dilatada unilateral e arreativa: suspeitar de compressão do III nervo por herniação.

Tríade de Cushing

Hipertensão, bradicardia e respiração irregular: hipertensão intracraniana grave.

Medidas imediatas

Cabeceira elevada, otimizar oxigenação e PA, considerar terapia hiperosmolar sob orientação especializada.

Destino

Tomografia de crânio urgente e avaliação neurocirúrgica; não postergar por exame secundário.

A hiperventilação profilática não é recomendada; reserve-a como medida temporária apenas para sinais de herniação iminente, com alvo controlado.

E Exposição e controle do ambiente

Despir completamente o paciente para não perder lesões (dorso, períneo, axilas, pregas) e, imediatamente depois, prevenir a hipotermia — que agrava a coagulopatia e piora o prognóstico. Exposição total e reaquecimento andam juntos.

  1. Remover roupas, cortando quando necessário; cuidado com objetos e evidências.
  2. Rolamento em bloco (log roll) para inspecionar o dorso e a coluna, com equipe coordenada.
  3. Cobrir com mantas aquecidas; usar fluidos e hemocomponentes aquecidos; aquecer o ambiente.
  4. Retirar o paciente da prancha rígida assim que possível para evitar lesão por pressão.
Hipotermia + acidose + coagulopatia formam a "tríade letal" do trauma. Manter o paciente aquecido é medida terapêutica, não conforto.

Log roll — o que procurar no dorso

Coluna

Dor, degrau, hematoma ou deformidade em toda a extensão da coluna vertebral.

Ferimentos ocultos

Lesões penetrantes no dorso, nas nádegas e no períneo, facilmente perdidas.

Toque retal (seletivo)

Não é rotina; indicado em situações específicas — tônus, sangramento, próstata elevada.

Reavaliação distal

Perfusão, sensibilidade e motricidade dos quatro membros após a mobilização.

Depois do E: para onde vai o atendimento

Concluída a avaliação primária com o paciente estabilizado (ou em ressuscitação ativa), seguem os adjuntos e a avaliação secundária — exame da cabeça aos pés e história dirigida. E o princípio permanece: qualquer deterioração manda voltar ao "A" e reavaliar a sequência inteira.

Regra de ouro da reavaliação

Piorou? Recomece do início. O xABCDE não é um checklist de passagem única — é um ciclo de reavaliação contínua enquanto o paciente estiver instável.

Adjuntos à avaliação primária

Realizados em paralelo ao xABCDE, sem interromper a ressuscitação. Complementam o exame e orientam o destino do paciente.

Monitorização

ECG contínuo, oximetria, capnografia, PA e temperatura.

Imagem dirigida

Radiografia de tórax e pelve; FAST/e-FAST à beira do leito para líquido livre e pneumotórax.

Laboratório

Gasometria, lactato, hemograma, tipagem/prova cruzada, coagulograma e β-hCG quando aplicável.

Sondas (seletivas)

Gástrica e vesical, respeitando as contraindicações (ex.: sonda vesical se houver suspeita de lesão uretral).

Avaliação secundária — AMPLA e cabeça aos pés

Só após a primária e com ressuscitação em curso. História AMPLA (Alergias, Medicações, Passado/gestação, Líquidos/última refeição, Ambiente/mecanismo) e exame completo e sistemático, com reavaliação contínua.

Como usar esta seção

Cada card abre a posologia completa: apresentação, diluição, dose em mg/mL (ou por kg), via e observações. Confira sempre a apresentação disponível no seu serviço e os protocolos institucionais antes de administrar.

Hemostasia e reposição

Pilares da ressuscitação para controle de danos: antifibrinolítico precoce, cristaloide criterioso, hemocomponentes balanceados (1:1:1) e reposição de cálcio na transfusão maciça.

Sequência rápida de intubação (SRI)

Padrão para a via aérea definitiva no trauma. A escolha do indutor considera a estabilidade hemodinâmica; o bloqueador neuromuscular garante condições ideais de laringoscopia. Sempre com estabilização cervical em linha.

Analgesia e suporte hemodinâmico

Controle da dor com titulação cautelosa (opioide pode acentuar hipotensão) e vasopressor apenas em situações selecionadas, como o choque neurogênico, nunca como substituto do controle do sangramento.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço, as diretrizes e as bulas vigentes.

  1. American College of Surgeons, Committee on Trauma. ATLS® — Advanced Trauma Life Support. Student Course Manual. 11ª ed. Chicago: ACS; 2025.
  2. American College of Surgeons, Committee on Trauma. ATLS® — Advanced Trauma Life Support. 10ª ed. Chicago: ACS; 2018.
  3. Planas JH, Waseem M, Sigmon DF. Trauma Primary Survey. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing; 2023.
  4. CRASH-2 trial collaborators. Effects of tranexamic acid on death, vascular occlusive events, and blood transfusion in trauma patients (CRASH-2). Lancet. 2010;376(9734):23-32.
  5. Spahn DR, Bouillon B, Cerny V, et al. The European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma (6ª ed.). Crit Care. 2023;27(1):80.
  6. Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. Lancet. 1974;2(7872):81-84.
  7. Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT). Diretrizes de atendimento ao politraumatizado. Edição vigente.
  8. PHTLS — Prehospital Trauma Life Support (NAEMT). Edição vigente.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui o curso oficial ATLS®, a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, diluições e velocidades de infusão devem ser sempre conferidas antes da administração.

A sequência xABCDE

x — Exsanguinação

Compressão, torniquete, curativo hemostático, cinta pélvica.

A — Via aérea + cervical

Pérvia com proteção da coluna; definitiva se ECG ≤ 8.

B — Respiração

O₂ alto fluxo; descomprimir pneumotórax hipertensivo.

C — Circulação

Conter sangramento, hemocomponentes 1:1:1, TXA < 3 h.

D / E

Glasgow, pupilas, glicemia; expor e aquecer.

Em provas / residência

xABCDE (ATLS 11): "x" = hemorragia exsanguinante externa antes do A. A questão testa se você segue a ordem e trata a ameaça antes de avançar.

Decore: pneumotórax hipertensivo é diagnóstico clínico; ECG ≤ 8 indica via aérea definitiva; hipotensão permissiva, exceto no TCE.

Mais informações nas abas do artigo.

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