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Hiponatremia

Sódio sérico abaixo de 135 mEq/L — o distúrbio eletrolítico mais frequente em pacientes hospitalizados. É antes de tudo um distúrbio da água: reflete excesso relativo de água livre, quase sempre com vasopressina inadequadamente elevada. O manejo se apoia em três eixos: tratar a causa, respeitar a volemia e corrigir o sódio na velocidade certa, evitando a síndrome de desmielinização osmótica.

Avaliar osmolaridade Definir a volemia Salina 3% se grave Evitar correção rápida
Tempo de leitura: 11 min
Atualizado em: 15/07/2026

Reconhecimento

  • Na⁺ < 135 mEq/L: leve 130–134, moderada 125–129, grave < 125
  • Sintomas dependem da rapidez de instalação
  • Aguda e grave: risco de edema cerebral
  • Confirme que é hipotônica (Osm < 275)

Diagnóstico

  • Passo 1: osmolaridade plasmática
  • Passo 2: osmolalidade urinária
  • Passo 3: volemia (hipo/eu/hiper)
  • Passo 4: sódio urinário

Tratamento agudo

  • Sintomas graves: NaCl 3% 100 mL em 10 min
  • Repetir até 3× (alvo +4–6 mEq/L)
  • Meta: 6–8 mEq/L em 24 h (máx. 10)
  • Tratar sempre a causa de base

Segurança

  • Risco de desmielinização osmótica
  • Risco ↑: hipocalemia, hepatopatia, álcool, desnutrição
  • Monitorar Na⁺ seriado
  • Cuidado com autocorreção pela diurese

O que é

A hiponatremia é definida pela concentração sérica de sódio abaixo de 135 mEq/L e é o distúrbio eletrolítico mais comum em pacientes hospitalizados, tanto em adultos quanto em crianças. Embora se fale em "sódio baixo", o desequilíbrio é fundamentalmente da água corporal: há excesso relativo de água livre em relação ao conteúdo de sódio e potássio do organismo.

Esse excesso de água costuma envolver secreção aumentada de vasopressina (ADH) e redução da capacidade renal de excretar água livre. A hiponatremia pode ocorrer em três contextos volêmicos — hipovolêmico, euvolêmico ou hipervolêmico — e associa-se a condições diversas, como uso de diuréticos, insuficiência cardíaca, cirrose, SIADH, insuficiência adrenal, hipotireoidismo e ingesta exagerada de líquidos.

Antes de tratar, confirme que é uma hiponatremia hipotônica verdadeira (osmolaridade < 275 mOsm/kg) e defina a volemia. O ritmo de correção é tão importante quanto o valor do sódio.

Fisiopatologia

A concentração de sódio depende do equilíbrio entre água e solutos. Quando a ingestão de água supera a capacidade renal de excretá-la, o sódio dilui-se. Essa capacidade cai quando há redução da filtração glomerular ou excesso de ADH.

O ADH pode subir por estímulos apropriados (queda do volume circulante efetivo ou deficiências hormonais) ou inapropriados (tumores, medicamentos). Na hiponatremia hipotônica aguda, a queda da osmolaridade plasmática desloca água para dentro dos neurônios, gerando edema cerebral — a complicação mais temida.

Consequências e adaptação cerebral

  • Água livre em excesso → diluição do sódio sérico.
  • Queda da osmolaridade → deslocamento de água para os neurônios.
  • Instalação aguda → edema cerebral, sem tempo de adaptação.
  • Instalação crônica → o cérebro exporta osmóis e se adapta; sintomas mais sutis.
  • Correção rápida da crônica → risco de desmielinização osmótica.
Por que a velocidade importa

No cérebro adaptado à hiponatremia crônica, elevar o sódio depressa demais desidrata bruscamente os neurônios já adaptados, podendo causar desmielinização osmótica (antiga mielinólise pontina central).

Números que importam

Frequência

Distúrbio eletrolítico mais comum no hospital.

Corte

Na⁺ < 135 mEq/L define a hiponatremia.

Causa nº 1 no hospital

SIADH é a etiologia mais frequente.

Idosos

Quedas, fraturas e alteração cognitiva mesmo se crônica leve.

Meta de correção

6–8 mEq/L em 24 h; máximo de 10 mEq/L.

Quadro clínico

Os sintomas variam conforme a gravidade, a velocidade de instalação e a duração. São, em geral, inespecíficos, e a intensidade é maior quando a queda do sódio é rápida — o cérebro não tem tempo de se adaptar.

Inespecíficos

Fraqueza, fadiga, cefaleia, náuseas, vômitos e tontura.

Marcha e quedas

Instabilidade da marcha e quedas recorrentes, sobretudo em idosos.

Estado mental

Confusão, delírio, letargia e alterações cognitivas.

Graves / agudos

Convulsões, coma e, em casos extremos, herniação cerebral por edema.

Ligados ao exercício

Colapso, dispneia e edema pulmonar não cardiogênico.

Crônicos

Mais sutis, porém com risco de quedas, fraturas e déficit cognitivo.

São considerados sintomas graves: convulsões, obnubilação, coma e parada respiratória — indicam salina hipertônica imediata, respeitando os limites diários.

Gravidade bioquímica

A classificação clássica por níveis séricos orienta a monitorização, mas não substitui a avaliação dos sintomas: um sódio "moderado" com sintomas graves é uma emergência.

Grau Sódio sérico Observação
Leve130–134 mEq/LEm geral assintomática; foco na causa de base.
Moderada125–129 mEq/LSintomas costumam ser inespecíficos.
Grave< 125 mEq/LMaior risco neurológico, sobretudo se aguda.
Na cirrose hepática, os limites podem ser ajustados: leve 126–135, moderada 120–125 e grave < 120 mEq/L. Nas seções de tratamento, muitos protocolos usam o corte de Na⁺ < 120 mEq/L para "grave" — mesmo assintomático, esse paciente é manejado como sintomático.

Classificação pela osmolaridade

A desregulação do sódio equivale à desregulação da água. O primeiro passo diagnóstico é medir a osmolaridade plasmática (normal 275–290 mOsm/kg) para separar os três cenários.

Isosmolar / isotônica (275–290 mOsm/kg)

Artefato laboratorial ("pseudo-hiponatremia"): lipídios ou proteínas elevados reduzem a fração aquosa analisada. Causas: hiperlipidemia e hiperproteinemia (ex.: mieloma múltiplo).

Hiperosmolar / hipertônica (> 290 mOsm/kg)

Solutos osmoticamente ativos atraem água para o plasma e diluem o sódio. Causas: hiperglicemia e solutos exógenos não permeantes (manitol, sorbitol, glicina).

Hipoosmolar / hipotônica (< 275 mOsm/kg)

Hiponatremia verdadeira: excesso relativo de água por ingestão exagerada ou incapacidade renal de excretá-la. É aqui que se avalia a volemia (hipo, eu ou hipervolemia).

Na hiperglicemia, corrija o sódio antes de interpretar: some ~1,6 mEq/L ao Na⁺ medido para cada 100 mg/dL de glicemia acima de 100 mg/dL. Há evidência de que o fator 2,4 é mais preciso, sobretudo com glicemia > 400 mg/dL (veja a aba Fórmulas & cálculo).

Hiponatremia hipotônica por volemia

Confirmada a hipotonicidade, a etiologia se organiza pela avaliação do líquido extracelular (LEC). Esse é o eixo que define a conduta.

Hipovolêmica (LEC diminuído)

Déficit de água e sal, com perda de sal maior que a de água. Perdas renais (Na⁺ urinário > 20 mEq/L): diuréticos, hipoaldosteronismo, nefropatia perdedora de sal, síndrome cerebral perdedora de sal. Perdas extrarrenais (Na⁺ urinário < 20 mEq/L): diarreia, vômitos, hemorragia, terceiro espaço (pancreatite, peritonite, obstrução intestinal).

Hipervolêmica (LEC aumentado)

Estados edematosos com água corporal total aumentada: insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática com ascite, insuficiência renal oligúrica e síndrome nefrótica.

Euvolêmica (LEC normal)

Excesso relativo de água com sódio corporal normal: polidipsia primária (psicogênica), hiponatremia dos bebedores de cerveja, hipocortisolismo, hipotireoidismo e SIADH.

SIADH — a causa hospitalar mais comum

Na secreção inapropriada de ADH, o hormônio é liberado de forma persistente e inadequada, mesmo com normo ou hipernatremia, levando à retenção de água livre e à diluição do sódio. Identificar e remover o fator precipitante é a intervenção mais eficaz.

Neoplasias

Sobretudo carcinoma pulmonar de pequenas células; também cabeça e pescoço, pâncreas, próstata e linfomas (ADH ectópico).

Doenças pulmonares

Pneumonia (viral ou bacteriana), abscessos, tuberculose, asma, DPOC e ventilação mecânica.

Sistema nervoso central

AVC, hemorragia subaracnóidea, TCE, meningite, encefalite, tumores e pós-operatório de neurocirurgia.

Medicamentos

ISRS, antipsicóticos, anticonvulsivantes (carbamazepina), quimioterápicos (vincristina, ciclofosfamida), opioides, desmopressina e ocitocina.

Em muitos casos a etiologia é multifatorial ou indeterminada, sobretudo em idosos e hospitalizados. A busca ativa pela causa é parte do tratamento.

Abordagem diagnóstica em 4 passos

O raciocínio é sequencial: primeiro confirmar a hipotonicidade, depois avaliar a resposta do ADH, a volemia e, por fim, o sódio urinário.

  1. Passo 1 — Osmolaridade plasmática. Diferenciar hiponatremia hipertônica, isotônica e hipotônica. Os hiponatrêmicos verdadeiros são hipotônicos (< 275 mOsm/kg). Se hipotônico, siga.
  2. Passo 2 — Osmolalidade urinária. < 100 mOsm/kg sugere polidipsia primária ou baixa ingestão de solutos; > 100 mOsm/kg indica ADH atuante — siga.
  3. Passo 3 — Volemia. O paciente está hipovolêmico, euvolêmico ou hipervolêmico? Se hipovolêmico, siga para o sódio urinário.
  4. Passo 4 — Sódio urinário. < 10 mmol/L: perda extrarrenal (diuréticos "remotos", vômitos antigos). > 20 mmol/L: perda renal de sódio (diuréticos, deficiência de cortisol, nefropatias perdedoras de sal).

Exames complementares úteis

TSH

Afastar hipotireoidismo como contribuinte.

Cortisol / ACTH

Investigar insuficiência adrenal / hipocortisolismo.

Ureia sérica

Ajuda a estimar volemia e risco de autocorreção.

Função hepática

Cirrose muda limites e aumenta o risco de desmielinização.

RX / TC de tórax

Rastreio de causas pulmonares e neoplásicas de SIADH.

TC de crânio

Nas causas neurológicas e diante de sintomas do SNC.

Sempre defina, em paralelo, se a hiponatremia é aguda (< 48 h) ou crônica e qual a gravidade dos sintomas — esses dois eixos comandam a velocidade da correção.

Princípios gerais

O tratamento é individualizado pela gravidade dos sintomas, pela rapidez de instalação e pelo estado volêmico. Tratar a causa de base é a intervenção mais eficaz.

  • Identificar e corrigir a causa; suspender fármacos que contribuem (tiazídicos, carbamazepina, ISRS, clorpropamida).
  • Definir volemia: hipovolêmica, euvolêmica ou hipervolêmica.
  • Objetivo geral: corrigir o sódio em 6–8 mEq/L em 24 h (limite máximo de 10–12 mEq/L/dia).
  • Fatores de risco para desmielinização osmótica: hipocalemia, doença hepática, desnutrição e uso de álcool — nesses casos, alvo mais conservador.
As fórmulas de correção são apenas estimativas: não incluem perdas insensíveis, urinárias ou gastrointestinais. Nunca as use isoladamente — a dosagem seriada do sódio guia a terapia.

Metas de correção e segurança

Primeiras horas
4–6 mEq/L
Elevação inicial em sintomas graves, suficiente para reverter o edema cerebral (≤ 6 h)
Salina 3% em bólus
24 horas
6–8 mEq/L
Meta diária; limite máximo de 10 mEq/L (8 mEq/L nos pacientes de alto risco)
Não ultrapassar
Atingida a meta diária, suspenda a salina 3% pelo restante do dia. Se o sódio voltar a cair, a hipertônica pode ser retomada. Vigie a autocorreção pela diurese (comum na hipovolemia após reposição), que pode levar à correção excessiva.

Hiponatremia sintomática aguda / grave

Diante de sintomas graves (convulsões, obnubilação, coma, parada respiratória) ou Na⁺ < 120 mEq/L, o tratamento é com salina hipertônica a 3%, com monitorização rigorosa.

Esquema em bólus (salina 3%)

Infundir 100 mL de NaCl 3% em 10 minutos (equivale a 600 mL/h). Dosar o sódio após cada bólus e repetir até 3 vezes, até elevar 4–6 mEq/L ou melhorar os sintomas — o que ocorrer primeiro. Reavaliar sintomas e sódio a cada ~2 horas.

Casos não graves ou assintomáticos com tendência de queda: bólus menor (50 mL de NaCl 3% em 10 min ≈ 300 mL/h) ou infusão lenta calculada pela fórmula de Adrogué-Madias (ver aba Fórmulas & cálculo), recalculando a cada dosagem.

Cenário Conduta inicial
Sintomas gravesNaCl 3% 100 mL EV em 10 min; repetir até 3× (alvo +4–6 mEq/L). Reavaliar em ~2 h.
Sintomas leves/moderadosNaCl 3% em infusão lenta calculada; recalcular a cada reposição e dosagem.
Assintomático em autocorreçãoConduta conservadora; se em queda, bólus menor (50 mL em 10 min).
Patologia intracranianaConsiderar NaCl 3% mesmo se assintomático.

Hiponatremia crônica / conduta por volemia

Na crônica assintomática, evita-se a correção aguda; o foco é a causa de base e a manutenção conforme a volemia.

Hipovolêmica

Fluidos isotônicos (SF 0,9% 1.000 mL EV em 24 h) e suspensão de diuréticos. Cuidado: a reposição pode suprimir o ADH e desencadear autocorreção rápida.

Hipervolêmica

Tratar a causa, restringir sal e água e usar diurético de alça (furosemida). Não usar salina isotônica. Restrição hídrica de 800–1.000 mL/dia nos estados edematosos.

Euvolêmica (SIADH)

Restrição hídrica é a base. Adjuvantes: diurético de alça, ureia oral, e antagonistas do ADH (tolvaptana) quando a restrição não é viável. Remover o fator precipitante.

Leve (130–134)

Em geral, sem tratamento específico. Corrigir a doença de base, revisar medicamentos e monitorar quedas adicionais do sódio.

Não use salina isotônica nem aumente o sal em pacientes edematosos, com SIADH ou com hiponatremia grave/sintomática — pode piorar o quadro.

Sódio corrigido na hiperglicemia

Antes de tratar uma "hiponatremia" com glicemia alta, corrija o sódio: a glicose desloca água para o plasma e dilui o Na⁺. Informe os valores para ver o sódio corrigido pelos dois fatores mais citados.

mEq/L
mg/dL
Sódio corrigido estimado
Fator 1,6 (Katz) mEq/L
Fator 2,4 (Hillier) mEq/L
Informe sódio e glicemia para estimar o valor corrigido.
Fórmula: Na⁺ corrigido = Na⁺ medido + fator × (glicemia − 100) ÷ 100. O fator 1,6 (Katz) é o clássico; o 2,4 (Hillier) tende a ser mais preciso, sobretudo com glicemia > 400 mg/dL. Ferramenta de apoio — a osmolaridade sérica ajuda a confirmar o cenário.
Calculadora de correção de hiponatremia

Para a estimativa de correção pela fórmula de Adrogué-Madias, com escolha de solução, avaliação de volemia e limites de segurança, use a calculadora completa do MedFoco.

Abrir calculadora

Fórmula de Adrogué-Madias

Estima quanto 1 litro de uma solução infundida altera o sódio sérico. É a base da calculadora do site.

Δ[Na⁺] sérico = ([Na⁺]infusão − [Na⁺]atual) ÷ (ACT + 1)

ACT = água corporal total (em litros). O resultado é a variação esperada do sódio por litro infundido — recalcule a cada dosagem, pois a fórmula não considera perdas.

Água corporal total (ACT)

Grupo ACT estimada
Masculino < 65 anosPeso × 0,6
Masculino ≥ 65 anosPeso × 0,5
Feminino < 65 anosPeso × 0,5
Feminino ≥ 65 anosPeso × 0,45
A calculadora do MedFoco adota o corte etário de 60 anos para os coeficientes da ACT; algumas fontes usam 65 anos. Como são estimativas, a diferença é pequena — o essencial é monitorar o sódio seriado.

Conteúdo de sódio das soluções

Solução (1 litro) Na⁺
NaCl 3% (comercial)513 mEq
NaCl 3% caseiro (SF 0,9% 445 mL + NaCl 20% 55 mL)511 mEq
NaCl 0,9% (soro fisiológico)154 mEq
Ringer lactato130 mEq
Ringer simples147,5 mEq
Preparo caseiro do NaCl 3%: 445 mL de SF 0,9% + 55 mL de NaCl 20% resulta em ~511 mEq/L de sódio. Confira sempre a apresentação disponível na sua instituição.
Como usar esta seção

Toque em cada card para ver apresentação, diluição, dose e cuidados. As opções variam conforme a volemia e a gravidade: salina hipertônica para os quadros graves; furosemida na hipervolemia; restrição hídrica e adjuvantes (ureia, tolvaptana, lítio) na SIADH.

Reposição — salina

A salina hipertônica a 3% é a base do tratamento da hiponatremia sintomática grave. O soro fisiológico 0,9% é a manutenção da hiponatremia hipovolêmica — sempre com atenção ao risco de autocorreção.

Diurético — hipervolemia

Nos estados edematosos e na hiponatremia hipervolêmica, o diurético de alça remove água livre e ajuda a controlar a congestão. Não usar na hipovolemia nem sem congestão.

Adjuvantes na SIADH euvolêmica

Quando a restrição hídrica é insuficiente ou inviável, considere adjuvantes que aumentam a excreção de água livre ou reduzem a resposta ao ADH. A tolvaptana exige monitorização estreita pelo risco de correção rápida.

Erros fatais

  • Tratar como hipotônica sem antes medir a osmolaridade (pseudo-hiponatremia e hiperglicemia).
  • Corrigir o sódio rápido demais na hiponatremia crônica — risco de desmielinização osmótica.
  • Ignorar a autocorreção pela diurese após reposição volêmica na hipovolemia.
  • Usar salina isotônica ou aumentar o sal em paciente edematoso ou com SIADH.
  • Manter fármacos causadores (tiazídicos, carbamazepina, ISRS, clorpropamida).
  • Basear a conduta só na fórmula, sem dosar o sódio de forma seriada.
  • Não reconhecer sintomas graves (convulsão, coma) como indicação de salina 3% imediata.
  • Não afastar hipotireoidismo e insuficiência adrenal na euvolêmica.

Cuidados gerais

  • Definir precocemente: aguda vs. crônica, gravidade dos sintomas e volemia.
  • Suspender medicamentos contribuintes e limitar fluidos hipotônicos.
  • Dieta adequada à causa: hipossódica na IC; considerar hipersódica na SIADH.
  • Restrição hídrica (800–1.000 mL/dia) nos estados edematosos e na SIADH.
  • Acesso venoso salinizado e bomba de infusão para a salina hipertônica.
  • Monitorar o sódio seriado, ajustando o plano conforme a resposta e a diurese.

Checklist de plantão

  • Osmolaridade plasmática e urinária, sódio urinário e volemia avaliados.
  • Sódio corrigido para glicemia, se hiperglicemia presente.
  • Sintomas graves identificados → salina 3% preparada em bomba.
  • Meta de correção definida (6–8 mEq/L/24 h; máx. 10) e anotada.
  • Fatores de risco para desmielinização revisados (K⁺, hepatopatia, álcool, desnutrição).
  • Dosagem seriada de sódio programada (ex.: a cada 2 h se salina hipertônica).
  • Causa de base investigada e fármacos contribuintes suspensos.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos da sua instituição nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, diluições, fórmulas e metas de correção devem ser sempre conferidas e a dosagem de sódio, monitorada de forma seriada.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

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Calculadora de correção

Estime a variação do sódio pela fórmula de Adrogué-Madias, com escolha de solução, volemia e limites de segurança.

Conduta rápida

1. Osmolaridade

Confirmar hipotônica (< 275 mOsm/kg) e corrigir p/ glicemia.

2. Volemia

Hipo, eu ou hipervolemia definem a conduta.

3. Grave / sintomático

NaCl 3% 100 mL EV em 10 min; repetir até 3× (+4–6 mEq/L).

4. Meta

6–8 mEq/L em 24 h; máximo de 10 mEq/L.

Em provas / residência

Hiponatremia → primeiro confirme a osmolaridade (hipotônica), depois a volemia. SIADH é a causa hospitalar mais comum (euvolêmica, Osm urinária > 100).

Decore: grave/sintomática → NaCl 3% 100 mL em 10 min (repetir até 3×, +4–6 mEq/L); meta 6–8 mEq/L/24 h (máx. 10); risco de desmielinização com K⁺ baixo, hepatopatia, álcool e desnutrição.

Mais informações nas abas do artigo.

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