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Sepse e Choque Séptico

Disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. O pacote da primeira hora — culturas, antibiótico, volume e lactato — associado ao controle do foco é o que mais impacta a sobrevida.

Pacote da 1ª hora Culturas + lactato ATB de amplo espectro Noradrenalina se PAM < 65
Tempo de leitura: 12 min
Atualizado em: 13/07/2026

Reconhecimento

  • Infecção + disfunção orgânica (SOFA ≥ 2)
  • Choque: vasopressor para PAM ≥ 65 + lactato > 2
  • Rastreio: NEWS/SIRS (qSOFA isolado não basta)
  • Febre, taquipneia, confusão, hipotensão

Pacote da 1ª hora

  • Dosar lactato (repetir se > 2)
  • 2 hemoculturas antes do antibiótico
  • Antibiótico de amplo espectro
  • Cristaloide 30 mL/kg se hipotensão ou lactato ≥ 4

Choque séptico

  • Noradrenalina é a 1ª escolha (alvo PAM ≥ 65)
  • Associar vasopressina precocemente
  • Epinefrina se refratário
  • Hidrocortisona 200 mg/dia no refratário

Controle do foco

  • Drenagem de abscessos e coleções
  • Debridamento de tecido necrótico
  • Remoção de cateteres e dispositivos
  • Idealmente nas primeiras 6–12 horas

Definições (Sepsis-3)

Sepse

Disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Operacionalmente: aumento de ≥ 2 pontos no escore SOFA na presença de foco infeccioso suspeito ou confirmado.

Choque séptico

Subgrupo da sepse com alterações circulatórias e metabólicas profundas: necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg associada a lactato > 2 mmol/L, apesar de reposição volêmica adequada. A mortalidade hospitalar ultrapassa 40%.

Cada hora de atraso no antibiótico se associa a aumento da mortalidade no choque séptico. Tempo é órgão.

Fisiopatologia

A infecção dispara uma resposta imune desregulada, com liberação maciça de citocinas, ativação endotelial e da cascata de coagulação. O resultado é vasodilatação intensa, aumento da permeabilidade capilar e microtrombose.

Instala-se o choque distributivo: resistência vascular periférica baixa, débito cardíaco geralmente elevado (mas com cardiomiopatia séptica em parte dos casos) e hipoperfusão tecidual, mesmo com fluxo aparentemente adequado.

Consequências clínicas diretas

  • Vasodilatação + extravasamento → hipotensão e hipovolemia relativa.
  • Disóxia celular → lactato elevado mesmo com O₂ disponível.
  • Microtrombose → disfunção de múltiplos órgãos e CIVD.
  • Cardiomiopatia séptica → depressão miocárdica em parte dos pacientes.
  • Perfil clínico → extremidades quentes ("choque quente"), evoluindo para frias nas fases tardias.
Perfil hemodinâmico clássico

Débito cardíaco normal ou alto, resistência vascular periférica baixa e pressões de enchimento baixas — oposto ao choque cardiogênico. Por isso a base do tratamento é volume + vasopressor, e não inotrópico.

Sinais de alerta

Febre ou hipotermia

> 38,3 °C ou < 36 °C, calafrios e queda importante do estado geral. Hipotermia é sinal de gravidade.

Hipotensão

PAS < 100 mmHg (ou queda em relação ao basal), com sinais de má perfusão.

Alteração da consciência

Confusão, sonolência ou agitação — pode ser a única manifestação no idoso.

Taquipneia

FR ≥ 22 irpm, dessaturação e esforço respiratório.

Má perfusão

Extremidades frias, enchimento capilar lentificado, moteamento (mottling), cianose.

Oligúria e lactato

Diurese reduzida, íleo adinâmico e lactato elevado — marcadores de hipoperfusão.

Idosos, imunossuprimidos e pacientes em uso de betabloqueador podem não fazer febre nem taquicardia. Confusão aguda em idoso é sepse até prova em contrário.

Como rastrear

Os escores aceleram o reconhecimento — não fecham nem excluem o diagnóstico. A Surviving Sepsis Campaign 2021 recomenda contra o uso do qSOFA isolado como ferramenta única de rastreio, por sua baixa sensibilidade, preferindo NEWS, MEWS ou SIRS.

Na prática: use um escore de triagem sensível (NEWS/SIRS) para identificar quem investigar, e confirme a sepse pela presença de infecção com disfunção orgânica.

qSOFA — beira-leito

Ferramenta rápida, baseada apenas no exame físico, para sinalizar risco de deterioração em pacientes com infecção. Cada critério vale 1 ponto. Toque nos critérios presentes:

0
Selecione os critérios presentes
qSOFA ≥ 2 associa-se a maior mortalidade e mais tempo de UTI. Atenção: um qSOFA < 2 não exclui sepse — por isso ele não deve ser usado sozinho como rastreio.

NEWS — escore fisiológico

Mais sensível que o qSOFA para triagem. Cada um dos seis parâmetros recebe de 0 a 3 pontos. Preencha os valores para calcular automaticamente:

Preencha os parâmetros
Parâmetro 3 pontos 2 pontos 1 ponto 0 ponto
FR (irpm)≤ 8 ou ≥ 2521–249–1112–20
SpO₂ (%)≤ 9192–9394–95≥ 96
PAS (mmHg)≤ 90 ou ≥ 22091–100101–110111–219
FC (bpm)≤ 40 ou ≥ 131111–13041–50 ou 91–11051–90
Temperatura (°C)≤ 35,0≥ 39,135,1–36,0 ou 38,1–39,036,1–38,0
ConsciênciaQualquer alteraçãoAlerta
Classificação: 0–4 baixo risco • 5–6 risco médio • ≥ 7 alto risco. Qualquer parâmetro isolado com 3 pontos já exige resposta clínica urgente.

SIRS — triagem

Instrumento de triagem, e não parte da definição de sepse (Sepsis-3 abandonou o SIRS como critério diagnóstico). Permanece útil para sinalizar quem investigar: ≥ 2 critérios em paciente com infecção exigem atenção.

  • Temperatura > 38,3 °C ou < 36 °C.
  • Frequência cardíaca > 90 bpm.
  • Frequência respiratória > 20 irpm ou PaCO₂ < 32 mmHg.
  • Leucócitos > 12.000 ou < 4.000/mm³, ou > 10% de bastões (desvio à esquerda).
O SIRS é inespecífico: trauma, pancreatite e pós-operatório também cursam com SIRS sem infecção. Ele levanta a suspeita — não fecha o diagnóstico.

Exames — coletar sem atrasar o tratamento

Nenhum exame deve atrasar o antibiótico ou a reposição volêmica. Coletar e tratar em paralelo.
Lactato arterial

Marcador de hipoperfusão. Valores > 2 mmol/L sugerem hipoperfusão e > 4 mmol/L são consistentes com choque. Repetir em 2–4 h para avaliar o clareamento e guiar a reposição.

Hemoculturas

Duas amostras de sítios diferentes, antes do antibiótico — desde que a coleta não atrase o início da droga (limite prático de cerca de 45 minutos).

Culturas do foco

Urocultura, cultura de escarro ou aspirado traqueal, líquor, líquido ascítico, secreção de ferida — conforme a suspeita clínica.

Laboratório geral

Hemograma (leucocitose com desvio, leucopenia, plaquetopenia), função renal, eletrólitos, glicemia, hepatograma, coagulograma e gasometria com relação PaO₂/FiO₂.

Biomarcadores

PCR e procalcitonina são inespecíficos e não devem ser usados para decidir o início do antibiótico. A procalcitonina pode auxiliar na decisão de suspender o antibiótico, associada à avaliação clínica.

Imagem do foco

Radiografia ou TC de tórax e abdome, ultrassonografia à beira-leito. Essencial para identificar coleções drenáveis.

Marcadores de hipoperfusão

Marcador Referência Interpretação na sepse
Lactato< 2 mmol/L> 2 sugere hipoperfusão; > 4 indica gravidade. O clareamento guia a resposta.
Enchimento capilar< 3 segundosSimples, reprodutível e recomendado para guiar a ressuscitação.
ScvO₂> 70%Valores baixos sugerem oferta insuficiente de oxigênio.
Gap de CO₂< 6 mmHgElevado indica fluxo tecidual inadequado.
Diurese> 0,5 mL/kg/hOligúria é sinal precoce de hipoperfusão renal.

Conduta da primeira hora

No choque séptico e na sepse com alta probabilidade, o antibiótico deve ser administrado em até 1 hora. Quando a sepse é possível, mas sem choque, é aceitável investigar rapidamente e administrar o antibiótico em até 3 horas se a suspeita persistir.
  1. Dosar lactato arterial (repetir se > 2 mmol/L, para avaliar o clareamento).
  2. Coletar 2 hemoculturas de sítios diferentes e as culturas do foco suspeito.
  3. Iniciar antibiótico de amplo espectro — ver a aba Antibióticos.
  4. Repor cristaloide balanceado 30 mL/kg se hipotensão ou lactato ≥ 4 mmol/L, em provas de 500 mL com reavaliação.
  5. Iniciar noradrenalina se a PAM permanecer < 65 mmHg — não atrase o vasopressor esperando o acesso central; pode ser iniciado em veia periférica calibrosa.
  6. Identificar e controlar o foco (drenagem, debridamento, remoção de dispositivos).
  7. Reavaliar continuamente: perfusão, enchimento capilar, diurese e clareamento do lactato.

Calculadora — volume da 1ª hora

Reposição inicial de 30 mL/kg de cristaloide balanceado (Ringer lactato preferencial ao soro fisiológico), indicada na hipotensão ou no lactato ≥ 4 mmol/L. Informe o peso:

kg
2.100 mL
Cristaloide nas primeiras 3 horas (30 mL/kg)
Infundir em provas de 500 mL, com reavaliação após cada uma. Avaliar fluidorresponsividade (elevação passiva das pernas, variação de volume sistólico, ultrassom à beira-leito) para evitar hiper-hidratação, que também aumenta a mortalidade.

Controle do foco

Antibiótico sem controle do foco não resolve. Identifique e trate a origem da infecção o mais precocemente possível — idealmente nas primeiras 6 a 12 horas.

Drenagem

Abscessos, empiema, colangite, pielonefrite obstrutiva, coleções intra-abdominais.

Debridamento

Fasciíte necrosante e infecções de partes moles — a cirurgia é a intervenção que salva.

Remoção de dispositivos

Cateteres venosos centrais, sondas vesicais, próteses infectadas.

Cirurgia de urgência

Perfuração de víscera, isquemia mesentérica, apendicite e colecistite complicadas.

Quando é choque séptico

Sepse + hipotensão que persiste após a reposição volêmica, exigindo vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg, com lactato > 2 mmol/L. É aqui que entram as drogas vasoativas.

Sequência de escalonamento

  1. Noradrenalina — vasopressor de primeira escolha, com alvo de PAM ≥ 65 mmHg.
  2. Vasopressina — associar precocemente (em vez de escalonar indefinidamente a noradrenalina), como medida poupadora de catecolamina.
  3. Adrenalina — se a hipotensão persistir apesar de noradrenalina e vasopressina.
  4. Hidrocortisona 200 mg/dia — no choque refratário, com necessidade sustentada de vasopressor.
  5. Dobutamina — apenas se houver má perfusão persistente com disfunção miocárdica, apesar de volume e vasopressor adequados.
Não atrase o vasopressor esperando o acesso central: a noradrenalina pode ser iniciada em veia periférica calibrosa, por tempo limitado, enquanto o acesso central é providenciado.

Calculadora — vasopressores e inotrópico

Informe o peso para obter a velocidade em mL/h nas diluições padronizadas. Fórmula: mL/h = (dose [mcg/kg/min] × peso [kg] × 60) ÷ concentração [mcg/mL].

kg
Droga e diluição Dose Velocidade
Vasopressina e adrenalina são doses fixas (não dependem do peso). Preferir acesso venoso central e pressão arterial invasiva assim que possível. Titular sempre pela PAM e pela perfusão.

Drogas vasoativas e corticoide

Cada card abre a prescrição completa: apresentação, diluição, concentração, dose, velocidade em mL/h, indicação e cuidados.

Princípios da antibioticoterapia

Amplo espectro na 1ª hora do choque séptico, após as culturas. Descalonar assim que houver resultado de culturas e antibiograma. Consulte sempre a CCIH e o perfil de resistência da sua instituição.
  • A escolha empírica depende do foco suspeito, do local de aquisição (comunitária ou associada à assistência), das comorbidades e da colonização prévia.
  • Considere cobertura para MRSA apenas quando houver fatores de risco (colonização prévia, uso recente de antibióticos, exposição hospitalar, dispositivos, infecção de pele grave).
  • Considere cobertura antifúngica em imunossuprimidos, uso prolongado de antibióticos, nutrição parenteral e colonização multissítio por Candida.
  • Otimize a farmacocinética: dose de ataque plena, infusão estendida de betalactâmicos nos casos graves e ajuste posterior pela função renal.
  • Reavalie diariamente a possibilidade de descalonar e de encurtar a duração — cursos de 7 dias são suficientes na maioria das infecções com foco controlado.
Como usar esta aba

Cada card abre a prescrição prática: apresentação, dose, diluição, tempo de infusão, intervalo e observações. Os esquemas estão separados por foco e por cenário (comunitário ou IRAS).

Sepse pulmonar

Foco mais frequente. Na comunidade, cobrir pneumococo e atípicos; no ambiente hospitalar, cobrir Pseudomonas e considerar MRSA conforme os fatores de risco.

Comunitária
IRAS — risco de Pseudomonas

Sepse urinária

Remover ou trocar cateteres vesicais e dispositivos (cistostomia, nefrostomia) sempre que possível. Na obstrução infectada, a desobstrução urgente é o tratamento — nenhum antibiótico substitui a drenagem.

Comunitária
IRAS / sonda de demora

Sepse abdominal

O controle cirúrgico do foco é indispensável (apendicite, colecistite, perfuração, abscessos). Cobrir enterobactérias e anaeróbios.

Comunitária
IRAS

Sepse de pele e partes moles

Na infecção necrosante, a cirurgia é o tratamento — o antibiótico é adjuvante. Cobrir MRSA nas formas graves.

Comunitária grave
Pé diabético / IRAS

Corrente sanguínea, SNC e foco indeterminado

Na infecção de cateter, a remoção do dispositivo é parte do tratamento. Na meningite, use doses meníngeas e não atrase o antibiótico esperando a punção lombar ou a tomografia.

Germes multirresistentes

Escolha guiada pelo antibiograma, pelo mecanismo de resistência e pela avaliação da infectologia e da CCIH. As opções abaixo são referência, não prescrição automática.

Cepas resistentes

Ventilação mecânica protetora

  • Volume corrente de 4–6 mL/kg de peso predito na SDRA.
  • Pressão de platô ≤ 30 cmH₂O; aceitar hipercapnia permissiva quando necessário.
  • Ajustar a PEEP para evitar colapso alveolar (PEEP mais alta na SDRA moderada a grave).
  • Posição prona por > 12 h/dia se PaO₂/FiO₂ < 150 mmHg — preferível às manobras de recrutamento agressivas.
  • Cabeceira elevada a 30–45°; desmame com teste de respiração espontânea quando estável.
  • Bloqueio neuromuscular apenas em casos selecionados de SDRA grave.

Calculadora — analgesia e sedação

Doses de manutenção em bomba de infusão. Titular pela escala de sedação, com interrupção diária sempre que possível.

kg
Droga e diluição Dose Velocidade
O propofol é infundido puro (10 mg/mL) e causa hipotensão — usar com cautela no choque. Vigiar hipertrigliceridemia e síndrome de infusão do propofol nas doses altas e prolongadas.

Hemotransfusão

Concentrado de hemácias

Estratégia restritiva: transfundir se Hb < 7 g/dL. Alvos maiores apenas em isquemia miocárdica aguda, hipoxemia grave ou hemorragia ativa.

Plaquetas

< 10.000/mm³ sempre; < 20.000/mm³ se houver risco de sangramento; < 50.000/mm³ se sangramento ativo ou procedimento invasivo.

Plasma fresco congelado

Apenas se houver sangramento ativo ou procedimento invasivo — não para corrigir exame alterado isoladamente.

Eritropoetina

Não indicada para tratar a anemia da sepse.

Metabólico, profilaxias e nutrição

Glicemia e metabólico

Iniciar insulina quando duas medidas consecutivas forem > 180 mg/dL, com alvo de 140–180 mg/dL. Monitorar a glicemia a cada 1–2 h até a estabilização (depois a cada 4 h). Não usar bicarbonato para melhorar a hemodinâmica se o pH ≥ 7,15. Diálise (intermitente ou contínua no instável) conforme indicação habitual.

Profilaxias e nutrição

Profilaxia de TEV com heparina de baixo peso molecular (preferencial) associada a método mecânico. Profilaxia de úlcera de estresse com IBP ou anti-H₂ apenas se houver fator de risco. Iniciar nutrição enteral precoce (nas primeiras 72 h), começando com dose trófica e progredindo conforme a tolerância. Evitar nutrição parenteral exclusiva nos primeiros 7 dias.

Etiologia por foco

Pulmonar

S. pneumoniae, atípicos, H. influenzae; Pseudomonas na DPOC e nas IRAS; vírus respiratórios.

Urinário

E. coli, Klebsiella, Proteus, Enterococcus.

Abdominal

E. coli, Klebsiella, B. fragilis e outros anaeróbios, Enterococcus.

Pele e partes moles

S. aureus (incluindo MRSA), S. pyogenes; polimicrobiana nas formas necrosantes.

Corrente sanguínea

Staphylococcus (aureus e coagulase-negativos), enterobactérias ESBL, Candida em cateteres.

SNC

S. pneumoniae, N. meningitidis, Listeria (extremos de idade, gestantes, imunossuprimidos).

Erros e condutas não recomendadas

  • Atrasar o antibiótico ou a reposição volêmica esperando exames ou vaga de UTI.
  • Usar coloides (amido, gelatina) na ressuscitação volêmica.
  • Usar dopamina em "dose renal" ou fenilefrina como vasopressor de rotina.
  • Prescrever corticoide na sepse sem choque.
  • Esquecer o controle do foco e a remoção de dispositivos infectados.
  • Usar vitamina C, tiamina, selênio, imunoglobulina ou proteína C ativada como terapia da sepse.
  • Basear o início do antibiótico apenas na procalcitonina ou na PCR.
  • Manter reposição volêmica agressiva após a fase inicial — o balanço hídrico positivo excessivo aumenta a mortalidade.
  • Manter o esquema de amplo espectro sem reavaliar o descalonamento.

Checklist de plantão

  • Lactato dosado e reavaliado (clareamento).
  • Duas hemoculturas coletadas antes do antibiótico.
  • Antibiótico de amplo espectro administrado dentro da 1ª hora.
  • Cristaloide 30 mL/kg iniciado e fluidorresponsividade reavaliada.
  • Noradrenalina iniciada se PAM < 65 mmHg (acesso central e PA invasiva providenciados).
  • Foco identificado e controlado (drenagem, debridamento, retirada de dispositivo).
  • Vaga de UTI solicitada e equipe acionada.
  • Descalonamento reavaliado com o resultado das culturas.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos da sua instituição, as orientações da CCIH nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. As doses apresentadas são para adultos com função renal preservada e devem ser ajustadas conforme peso, função renal e hepática, alergias, culturas e sítio infeccioso.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais e as orientações da CCIH do seu serviço.

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  2. Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016;315(8):801-810.
  3. Seymour CW, Liu VX, Iwashyna TJ, et al. Assessment of Clinical Criteria for Sepsis. JAMA. 2016;315(8):762-774.
  4. Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS). Protocolo de tratamento de sepse e choque séptico — implementação e indicadores. São Paulo: ILAS. ilas.org.br
  5. Royal College of Physicians. National Early Warning Score (NEWS 2): standardising the assessment of acute-illness severity in the NHS. London: RCP, 2017.
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  7. Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia (ATS/IDSA). Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45-e67.
  8. Kalil AC, Metersky ML, Klompas M, et al. Management of Adults With Hospital-acquired and Ventilator-associated Pneumonia (IDSA/ATS). Clin Infect Dis. 2016;63(5):e61-e111.

Dose rápida

Antibiótico

Amplo espectro em até 1 h no choque séptico, após culturas.

Cristaloide (1ª hora)

30 mL/kg de solução balanceada, em provas de 500 mL.

Noradrenalina

0,05–0,1 mcg/kg/min • 200 mcg/mL. Alvo: PAM ≥ 65.

Vasopressina

0,03 U/min • 1 U/mL → 1,8 mL/h.

Em provas / residência

Sepse = infecção + disfunção orgânica (SOFA ≥ 2). Choque séptico = vasopressor para PAM ≥ 65 + lactato > 2 apesar de volume.

Decore: pacote da 1ª hora; noradrenalina é a 1ª escolha; corticoide só no refratário; SIRS não define sepse.

Mais informações nas abas do artigo.

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