Púrpura
Lesão cutânea hemorrágica caracterizada pelo extravasamento de sangue para a pele ou mucosas, formando manchas vermelho-arroxeadas que não desaparecem à digitopressão.
Visão Geral
A púrpura é uma manifestação dermatológica caracterizada por manchas vermelho-arroxeadas na pele ou nas mucosas, resultantes do extravasamento de sangue para os tecidos.
Diferente do eritema inflamatório ou de lesões vasculares superficiais, as lesões purpúricas não desaparecem quando pressionadas, pois o sangue está fora do vaso sanguíneo.
As lesões podem variar em tamanho, desde pequenas petéquias puntiformes até placas maiores, chamadas equimoses. A distribuição, a evolução e os sintomas associados ajudam a orientar a causa provável.
O reconhecimento da púrpura é importante porque ela pode estar relacionada a trauma simples, fragilidade vascular, uso de medicamentos, plaquetopenia, distúrbios de coagulação, infecções, vasculites ou doenças sistêmicas.
- Manchas vermelho-arroxeadas na pele ou mucosas
- Lesões que não desaparecem à digitopressão
- Podem ser puntiformes, maculares ou em placas
- Coloração que pode evoluir para tons azulados, esverdeados ou amarelados
- Distribuição localizada ou disseminada, dependendo da causa
- Possível associação com sangramentos, febre, dor articular ou sintomas sistêmicos
O achado principal é o extravasamento de hemácias para a derme ou tecido subcutâneo, formando manchas que permanecem visíveis mesmo após pressão local.
As lesões purpúricas representam sangramento cutâneo ou mucoso e são descritas conforme o tamanho, a morfologia, a profundidade e o contexto clínico.
Na prática, é essencial diferenciar petéquias, púrpuras e equimoses, além de avaliar se há sinais de gravidade, como febre, queda do estado geral, sangramentos mucosos ou surgimento súbito e disseminado das lesões.
Petéquias
Pequenas lesões puntiformes, geralmente menores que 2 mm, vermelho-vivas ou arroxeadas, que não desaparecem à pressão.
Púrpura
Manchas hemorrágicas maiores que petéquias, em geral entre 2 mm e 1 cm, com coloração vermelho-arroxeada e aspecto não branqueável.
Equimose
Lesão hemorrágica maior, geralmente acima de 1 cm, popularmente semelhante a um “roxo”, podendo mudar de cor durante a reabsorção do sangue.
Não desaparece à digitopressão
A pressão sobre a pele não clareia a lesão, pois a coloração vem do sangue extravasado fora dos vasos sanguíneos.
Evolução da cor
Pode iniciar com tonalidade avermelhada ou violácea e evoluir para tons acastanhados, esverdeados ou amarelados conforme a degradação da hemoglobina.
Distribuição variável
Pode ser localizada, como após trauma, ou disseminada, como em plaquetopenias, vasculites, infecções ou distúrbios de coagulação.
Sinais associados
Febre, mal-estar, dor articular, sangramento gengival, epistaxe ou lesões dolorosas podem sugerir causas sistêmicas e maior gravidade.
Alerta clínico
Púrpura de início súbito, extensa, febril, necrótica ou associada a sangramentos deve ser avaliada com prioridade.
O diagnóstico começa pelo reconhecimento clínico das lesões hemorrágicas não branqueáveis e pela avaliação do contexto: idade, distribuição, início, medicamentos, infecções recentes, trauma e sintomas sistêmicos.
A investigação complementar depende da suspeita clínica e pode incluir hemograma com plaquetas, coagulograma, função renal, provas inflamatórias, sorologias, avaliação autoimune ou biópsia de pele em casos selecionados.
Digitopressão
Ajuda a diferenciar lesões purpúricas de eritema: na púrpura, a mancha não desaparece com a pressão local.
Tamanho das lesões
Petéquias são puntiformes, púrpuras costumam medir entre 2 mm e 1 cm, e equimoses geralmente são maiores que 1 cm.
Hemograma
Avalia anemia, leucócitos e principalmente a contagem de plaquetas, sendo útil na suspeita de púrpura trombocitopênica.
Coagulograma
Pode auxiliar na investigação de distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes ou sangramentos associados.
Avaliação sistêmica
Febre, queda do estado geral, artralgia, dor abdominal, alteração urinária ou sangramento mucoso podem indicar doença sistêmica.
Biópsia de pele
Pode ser indicada quando há suspeita de vasculite cutânea, púrpura palpável, necrose ou diagnóstico incerto.
A púrpura deve ser diferenciada de eritema inflamatório, telangiectasias, angiomas, hiperpigmentações, hematomas traumáticos simples, vasculites, púrpura senil, púrpura trombocitopênica e distúrbios da coagulação.
A presença de lesões palpáveis, dor, necrose, febre, sangramentos ou alteração laboratorial orienta a investigação para causas mais graves.
Abaixo estão exemplos clínicos de lesões purpúricas em diferentes apresentações, auxiliando no reconhecimento visual das manchas hemorrágicas cutâneas.
O tratamento da púrpura não é único: ele depende da causa de base, da extensão das lesões, da presença de sangramentos e do estado geral do paciente.
Lesões traumáticas ou relacionadas à fragilidade vascular podem exigir apenas observação e proteção da pele, enquanto causas sistêmicas, infecciosas, hematológicas ou vasculíticas exigem investigação e manejo direcionado.
Identificar a causa
O primeiro passo é definir se a púrpura está relacionada a trauma, plaquetas, coagulação, medicamentos, infecções, vasculite ou doença sistêmica.
Revisar medicamentos
Anticoagulantes, antiagregantes plaquetários, corticoides e outros fármacos podem contribuir para sangramentos cutâneos e devem ser avaliados no contexto clínico.
Proteção da pele
Em fragilidade cutânea ou púrpura senil, a proteção contra traumas, hidratação da pele e redução de atrito podem ajudar a prevenir novas lesões.
Correção de alterações laboratoriais
Plaquetopenia, coagulopatias ou alterações hematológicas devem ser tratadas conforme a causa e a gravidade do sangramento.
Manejo de vasculites
Quando há suspeita de vasculite, pode ser necessária investigação específica e tratamento anti-inflamatório ou imunossupressor conforme avaliação médica.
Avaliação urgente
Púrpura com febre, rigidez de nuca, queda do estado geral, necrose, sangramento mucoso ou disseminação rápida exige atendimento imediato.
O prognóstico varia conforme a causa. Algumas púrpuras são benignas e autolimitadas, enquanto outras indicam doenças sistêmicas potencialmente graves.
A avaliação clínica adequada permite diferenciar apresentações simples de situações que exigem exames, acompanhamento especializado ou intervenção urgente.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre púrpura e lesões hemorrágicas cutâneas.
- BOLOGNIA, J. L.; SCHAFFER, J. V.; CERRONI, L. Dermatology. 5. ed. Elsevier, 2024.
- KANG, S. et al. Fitzpatrick's Dermatology. 9. ed. McGraw-Hill Education, 2019.
- HABIF, T. P. Clinical Dermatology: A Color Guide to Diagnosis and Therapy. 7. ed. Elsevier, 2021.
- JAMES, W. D.; ELSTON, D. M.; TREAT, J. R.; ROSENBACH, M. A.; NEUHAUS, I. M. Andrews' Diseases of the Skin: Clinical Dermatology. 13. ed. Elsevier, 2020.
As imagens utilizadas neste atlas dermatológico foram produzidas ou aprimoradas com finalidade educacional, a partir de referências clínicas e representações didáticas de lesões cutâneas.
Parte das imagens pode ter sido editada digitalmente para padronização de proporção, resolução, nitidez e melhor visualização das lesões purpúricas.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação médica, investigação laboratorial quando indicada ou orientação especializada em dermatologia, clínica médica, pediatria ou hematologia.
