Melasma
Hipermelanose adquirida, crônica e recorrente, caracterizada por máculas acastanhadas ou acinzentadas, de bordas irregulares, geralmente simétricas e predominantes em áreas fotoexpostas da face.
Visão Geral
O melasma é uma alteração pigmentar adquirida, crônica e recorrente, caracterizada pelo surgimento de manchas acastanhadas ou acinzentadas, geralmente planas, irregulares e simétricas.
As lesões aparecem principalmente em áreas expostas à luz, como testa, maçãs do rosto, dorso nasal, região acima do lábio superior e mento.
A condição está relacionada ao aumento da produção e deposição de melanina, influenciada por radiação ultravioleta, luz visível, fatores hormonais, predisposição genética, inflamação cutânea e alguns medicamentos ou cosméticos.
Embora seja uma condição benigna e sem risco sistêmico, pode gerar grande impacto estético e emocional, exigindo abordagem contínua com fotoproteção, tratamento dermatológico e manutenção para reduzir recorrências.
- Máculas hiperpigmentadas acastanhadas ou acinzentadas
- Bordas irregulares e mal definidas
- Distribuição geralmente simétrica
- Acometimento predominante da face
- Piora com exposição solar e luz visível
- Curso crônico, recorrente e de difícil manutenção
A alteração principal ocorre na pigmentação cutânea, com aumento da melanina na epiderme, na derme ou em padrão misto, formando manchas planas e irregulares em áreas fotoexpostas.
O melasma se manifesta como manchas planas, de coloração castanho-clara, castanho-escura, cinza-acastanhada ou azulada, dependendo da profundidade do pigmento e do fototipo cutâneo.
O padrão é frequentemente simétrico e centrofacial, mas também pode envolver região malar, mandibular, frontal e supralabial.
Máculas hiperpigmentadas
Lesões planas, sem elevação palpável, com pigmentação acastanhada ou acinzentada, variando conforme a profundidade do pigmento.
Bordas mal definidas
As manchas costumam ter limites irregulares e difusos, com transição gradual entre a área pigmentada e a pele ao redor.
Distribuição simétrica
Acomete frequentemente os dois lados da face, principalmente nas regiões malares, frontais, nasais e supralabiais.
Piora com luz
A radiação ultravioleta e a luz visível podem estimular melanócitos e intensificar o escurecimento das manchas.
Padrão centrofacial
O padrão mais comum envolve testa, nariz, região malar, bochechas e área acima do lábio superior.
Tipos pigmentares
Pode ser epidérmico, dérmico ou misto, de acordo com a profundidade do pigmento e a resposta esperada ao tratamento.
Relação hormonal
Pode surgir ou piorar durante gestação, uso de anticoncepcionais, terapia hormonal ou outras alterações hormonais.
Recorrência frequente
Mesmo após melhora clínica, pode recidivar se houver exposição solar, interrupção da fotoproteção ou ausência de manutenção.
O diagnóstico do melasma é essencialmente clínico, baseado na inspeção das manchas, padrão de distribuição, simetria, história de exposição solar, fatores hormonais e recorrência.
Em casos selecionados, exames complementares como lâmpada de Wood, dermatoscopia ou biópsia podem auxiliar na diferenciação de outras causas de hiperpigmentação facial.
Avaliação clínica
Observa localização, simetria, coloração, bordas e evolução das manchas, associando com fatores desencadeantes e fototipo cutâneo.
Lâmpada de Wood
Pode ajudar a estimar a profundidade do pigmento, principalmente quando há predomínio epidérmico, embora tenha limitações em alguns fototipos.
Dermatoscopia
Auxilia na avaliação do padrão pigmentar, vascularização, profundidade aparente e diferenciação de outras dermatoses pigmentares.
Biópsia em exceções
Geralmente não é necessária, mas pode ser considerada quando houver dúvida diagnóstica ou suspeita de outras doenças pigmentares.
Classificação clínica
Pode ser classificado em padrões centrofacial, malar, mandibular ou extrafacial, conforme a distribuição das lesões.
Avaliação de gravidade
Escalas clínicas e registros fotográficos podem ser usados para acompanhar extensão, intensidade e resposta ao tratamento.
O melasma deve ser diferenciado de lentigos solares, hiperpigmentação pós-inflamatória, efélides, melanose de Riehl, ocronose exógena, nevo de Ota, dermatite de contato pigmentada e outras melanoses faciais.
A história clínica, o padrão de distribuição, a cor das lesões, o tempo de evolução e o uso prévio de cosméticos ou clareadores ajudam na diferenciação.
Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas relacionadas ao melasma e suas principais apresentações em áreas fotoexpostas da face.
O tratamento do melasma deve ser individualizado conforme fototipo, profundidade do pigmento, extensão das manchas, histórico de recorrência, gestação, lactação, sensibilidade cutânea e tratamentos prévios.
A base do manejo é a fotoproteção diária e contínua, associada a tratamentos clareadores, anti-inflamatórios, antioxidantes, procedimentos dermatológicos selecionados e terapia de manutenção.
Fotoproteção rigorosa
Uso diário de protetor solar de amplo espectro, preferencialmente com cor, reaplicação adequada e proteção contra luz visível.
Clareadores tópicos
Podem incluir hidroquinona, ácido azelaico, retinoides, ácido kójico, ácido tranexâmico tópico, niacinamida e outros ativos.
Fórmulas combinadas
Combinações tópicas podem ser usadas em fases de indução, sempre com acompanhamento para reduzir irritação e rebote pigmentar.
Peelings químicos
Podem ser úteis em casos selecionados, com indicação cuidadosa para evitar inflamação, hiperpigmentação pós-inflamatória e piora.
Laser e tecnologias
Devem ser usados com cautela, pois podem ajudar alguns pacientes, mas também podem causar irritação e recidiva em outros.
Manutenção contínua
Após melhora, a manutenção com fotoproteção e ativos menos irritantes é essencial para reduzir recorrências.
O melasma costuma ter curso crônico e recorrente. A resposta ao tratamento é variável e depende da adesão à fotoproteção, profundidade do pigmento, controle de gatilhos e regularidade do acompanhamento.
A melhora tende a ser gradual. O objetivo do manejo não é apenas clarear as manchas, mas também evitar piora, reduzir recidivas e preservar a barreira cutânea.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre melasma e distúrbios pigmentares.
- BOLOGNIA, J. L.; SCHAFFER, J. V.; CERRONI, L. Dermatology. 5. ed. Elsevier, 2024.
- KANG, S. et al. Fitzpatrick's Dermatology. 9. ed. McGraw-Hill Education, 2019.
- AMERICAN ACADEMY OF DERMATOLOGY. Melasma: Overview. AAD Patient Education, 2022.
- DERMNET. Melasma. DermNet New Zealand, atualização contínua.
- SATHE, N. C.; AL ABOUD, A. M. Melasma. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026.
As imagens utilizadas neste atlas dermatológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações didáticas.
Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação das manchas, da distribuição facial e dos padrões de hiperpigmentação.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação dermatológica, livros-texto completos ou orientação médica individualizada.
