🚶‍♂️ Marcha Parkinsoniana

A marcha parkinsoniana é um padrão de marcha característico da doença de Parkinson e de outras síndromes parkinsonianas, como a paralisia supranuclear progressiva e a atrofia de múltiplos sistemas. Ela se caracteriza por passos curtos, arrastados e lentos, associados a postura inclinada para frente, redução do balanço dos braços e dificuldade em iniciar ou interromper o movimento.

Esse tipo de marcha é um dos principais sinais motores do parkinsonismo e está associado à bradicinesia, rigidez muscular e instabilidade postural — as três principais alterações motoras da doença.

Importância clínica

A identificação da marcha parkinsoniana no exame físico é de grande valor diagnóstico. Muitas vezes, ela é o primeiro sinal perceptível da doença de Parkinson, mesmo antes do diagnóstico formal. Além disso, esse padrão de marcha está diretamente associado a um aumento do risco de quedas, com sérias implicações na qualidade de vida do paciente.

O reconhecimento precoce permite encaminhamento para acompanhamento neurológico, início de tratamento com agonistas dopaminérgicos e intervenções de fisioterapia voltadas para reeducação da marcha, exercícios de ritmo e prevenção de complicações ortopédicas.

Durante a observação da marcha, o paciente com parkinsonismo exibe um andar peculiar. Os passos são curtos e com pouca elevação dos pés, o que pode causar tropeços frequentes. A postura costuma estar fletida para frente, com o pescoço projetado, os braços pouco móveis ao lado do corpo e a face com expressão reduzida (hipomimia).

Outro ponto marcante é a dificuldade para iniciar a marcha (congelamento ou freezing), especialmente ao levantar da cadeira ou ao tentar passar por portas estreitas. Quando finalmente começa a andar, o paciente pode acelerar progressivamente, como se estivesse “correndo atrás do próprio corpo”, fenômeno conhecido como festinação. Também pode haver bloqueios motores súbitos, principalmente em ambientes apertados ou em momentos de distração emocional.

Principais causas

A marcha parkinsoniana está relacionada à degeneração dos núcleos da base, em especial da substância negra, com redução da produção de dopamina. A causa mais comum é a doença de Parkinson idiopática, mas outras condições também podem apresentar esse padrão, como:

  • Paralisia supranuclear progressiva
  • Atrofia de múltiplos sistemas
  • Doença de Huntington (em fases avançadas)
  • Parkinsonismo vascular
  • Efeitos colaterais de neurolépticos (parkinsonismo secundário)

Referências

  1. Jankovic J. Parkinson’s disease: clinical features and diagnosis. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2008;79(4):368–76.
  2. DeMyer W. Techniques of the Neurologic Examination. McGraw-Hill Education, 2004.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico da Doença de Parkinson.
  4. Blumenfeld H. Neuroanatomy through Clinical Cases. Sinauer Associates, 2010.

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