🚶‍♂️ Marcha Espástica

A marcha espástica, também conhecida como marcha hemiparética (quando unilateral) ou marcha em tesoura (quando bilateral), é um padrão de marcha anormal caracterizado por rigidez muscular e movimentos lentos e difíceis, principalmente nos membros inferiores. Essa rigidez é consequência de lesão do neurônio motor superior, especialmente das vias corticoespinais.

Esse tipo de marcha está frequentemente associado a distúrbios neurológicos crônicos, como acidente vascular cerebral (AVC), paralisia cerebral espástica e esclerose múltipla.

Como ocorre?

Em condições normais, o controle da marcha depende do equilíbrio entre contração e relaxamento muscular. Quando há lesão do trato corticoespinal, ocorre perda do controle inibitório sobre os reflexos medulares, levando a um aumento do tônus muscular (espasticidade), principalmente nos músculos antigravitacionais: flexores do braço e extensores da perna.

Essa espasticidade limita a flexão da perna durante a marcha, obrigando o paciente a fazer movimentos compensatórios para conseguir avançar o membro inferior afetado.

Importância clínica

A marcha espástica compromete significativamente a autonomia e qualidade de vida dos pacientes, sendo um indicativo de lesões neurológicas centrais crônicas ou progressivas. A identificação precoce desse padrão de marcha pode direcionar o diagnóstico e permitir intervenções que melhorem a mobilidade, previnam quedas e reduzam contraturas e deformidades musculares.

O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, com foco em reabilitação física, fisioterapia motora, uso de órteses e, em alguns casos, medicações antiespásticas ou até cirurgia ortopédica ou neurológica.

Durante o exame físico, além da observação da marcha, é importante identificar outros sinais de lesão do neurônio motor superior, como:

  • Espasticidade (hipertonia elástica)
  • Reflexos osteotendinosos exaltados
  • Sinal de Babinski positivo
  • Clônus
  • Paresia espástica (força diminuída com rigidez)

A marcha espástica geralmente é pouco fluida, com passos arrastados e dificuldade para virar ou caminhar em superfícies irregulares. Avaliações complementares, como ressonância magnética de crânio ou coluna, potenciais evocados e estudos genéticos, podem ser indicados conforme o contexto.

Referências

  1. DeMyer W. Techniques of the Neurologic Examination. McGraw-Hill Education, 2004.
  2. Blumenfeld H. Neuroanatomy through Clinical Cases. Sinauer Associates, 2010.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de Cuidados em Doenças Neurológicas Crônicas.
  4. Snell RS. Neuroanatomia Clínica. 7ª ed. Guanabara Koogan, 2011.
  5. Campbell WW. DeJong’s The Neurologic Examination. 7ª ed. Lippincott Williams & Wilkins, 2013.

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