🚶‍♂️ Marcha em Estrela

A marcha em estrela é um tipo de marcha anormal observada em casos de lesão do vermis cerebelar, uma região central do cerebelo responsável por controlar o equilíbrio postural e a coordenação da marcha. Recebe esse nome porque, ao caminhar com os olhos fechados em várias direções, o paciente acaba desviando sua trajetória de forma desordenada, criando um trajeto que lembra o desenho de uma estrela.

Diferentemente da ataxia sensitiva, que melhora com a visão, a marcha em estrela é típica da ataxia cerebelar, e ocorre mesmo com os olhos abertos. Porém, o teste clássico é feito com os olhos fechados, justamente para observar a perda da orientação espacial.

Importância clínica

Embora seja uma alteração relativamente específica, a marcha em estrela pode ser sutil e passar despercebida em pacientes com quadros crônicos. Reconhecê-la durante o exame neurológico pode ser o primeiro passo para a suspeita de uma ataxia cerebelar de origem central, muitas vezes silenciosa nos estágios iniciais.

Seu reconhecimento precoce ajuda a direcionar a investigação com exames de imagem como a ressonância magnética de encéfalo, que pode evidenciar atrofia cerebelar, lesões desmielinizantes ou tumores. Além disso, pode orientar a reabilitação motora e medidas de prevenção de quedas.

Durante o exame, o paciente é instruído a caminhar em linha reta e depois em diferentes direções, com os olhos fechados. Em vez de manter um trajeto coerente, ele tende a se desviar para vários lados, retornando em outra direção, como se traçasse os pontos de uma estrela. Esse comportamento revela a incapacidade de manter o rumo por falta de coordenação central da marcha, típica de disfunções no vermis cerebelar.

Além da marcha em estrela, esses pacientes podem apresentar outros sinais de ataxia cerebelar, como instabilidade do tronco, disartria escandida, nistagmo e dismetria em membros superiores.

Principais causas

As lesões do vermis cerebelar podem ocorrer por diferentes mecanismos. Entre as causas mais comuns estão:

  • Atrofia cerebelar crônica, especialmente por alcoolismo
  • Tumores de fossa posterior
  • Acidente vascular cerebral cerebelar
  • Esclerose múltipla
  • Síndromes genéticas ataxias espinocerebelares
  • Intoxicações (ex: lítio, fenitoína em excesso)

É importante destacar que a marcha em estrela é mais típica de lesões do vermis, e não dos hemisférios cerebelares, que afetam mais a coordenação de membros isoladamente.

Referências

  1. DeMyer W. Techniques of the Neurologic Examination. McGraw-Hill Education, 2004.
  2. Blumenfeld H. Neuroanatomy through Clinical Cases. 2nd ed. Sinauer Associates, 2010.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de Cuidados em Ataxias e Alterações de Marcha.
  4. Snell RS. Neuroanatomia Clínica. 7ª ed. Guanabara Koogan, 2011.

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