
🦆 Marcha Anserina
A marcha anserina, também conhecida como marcha do pato, é um padrão de marcha anormal caracterizado por um balanço exagerado do quadril de um lado para o outro, com os ombros também oscilando de forma compensatória. Esse tipo de marcha costuma ocorrer em pacientes com fraqueza dos músculos pélvicos, especialmente os glúteos médios e mínimos, responsáveis pela estabilização da pelve durante o caminhar.
Essa marcha é considerada típica de doenças neuromusculares que afetam a musculatura proximal dos membros inferiores, podendo ser vista tanto em quadros adquiridos quanto hereditários. Seu nome vem da semelhança com a forma como os gansos (do latim anser) se locomovem, com os quadris balançando de um lado para o outro.
Importância clínica
A marcha anserina é um sinal clínico importante e altamente sugestivo de comprometimento da musculatura pélvica proximal. Quando presente, deve levar o examinador a investigar doenças musculares, especialmente em pacientes com histórico de quedas frequentes, dificuldade em subir escadas ou levantar do chão.
A simples observação da marcha pode evitar atrasos diagnósticos em doenças genéticas ou autoimunes. Além disso, a identificação precoce possibilita o início de reabilitação motora, uso de órteses quando necessário e investigação laboratorial e eletromiográfica para confirmação da etiologia.
Durante a caminhada, o paciente com marcha anserina apresenta dificuldade em manter a pelve estável quando apoia o peso do corpo sobre uma perna. Isso faz com que o tronco incline para o mesmo lado da perna em apoio, como forma de compensar a instabilidade. Ao alternar o apoio para a outra perna, o mesmo ocorre, resultando em um andar gingado, com os quadris projetando-se lateralmente a cada passo.
Esse padrão de marcha pode ser bilateral (mais comum) ou assimétrico, dependendo do grau e da distribuição da fraqueza muscular. Muitas vezes está associado a outros sinais, como dificuldade para subir escadas, levantar-se de uma cadeira ou ficar de pé por muito tempo, sinais clássicos de fraqueza proximal.
Principais causas
A marcha anserina é frequentemente observada em condições que causam miopatias proximais, como:
- Distrofias musculares, especialmente a distrofia muscular de Duchenne (em crianças) e a distrofia muscular de cinturas (em adultos)
- Miopatias inflamatórias, como polimiosite e dermatomiosite
- Miopatias endócrinas, como no hipercortisolismo ou hipotireoidismo
- Doenças metabólicas e mitocondriais
- Doenças neurológicas crônicas, como esclerose lateral amiotrófica (quando há predomínio de acometimento proximal)
Casos de displasia do quadril bilateral, em que o apoio está comprometido
Também pode ser observada de forma transitória em situações como o pós-operatório de cirurgias ortopédicas de quadril ou em gestantes com laxidão ligamentar excessiva.
Referências
- DeMyer W. Techniques of the Neurologic Examination. McGraw-Hill Education, 2004.
- Preston DC, Shapiro BE. Electromyography and Neuromuscular Disorders. Elsevier, 2012.
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de Abordagem de Doenças Neuromusculares.
- Snell RS. Neuroanatomia Clínica. 7ª ed. Guanabara Koogan, 2011.
Dalakas MC. Inflammatory muscle diseases. N Engl J Med. 2015;372(18):1734-1747.
