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Atlas de Dermatologia

Sarampo

Infecção viral aguda e altamente contagiosa, caracterizada por febre, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema maculopapular de progressão cefalocaudal.

Doenças Infecciosas Transmissão respiratória Exantema cefalocaudal
Visão Geral
Características
Diagnóstico
Galeria
Tratamento
Referências
Sarampo - imagem principal

Visão Geral

O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, sistêmica e altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo, pertencente ao gênero Morbillivirus. A transmissão ocorre principalmente por via respiratória, por partículas liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

O quadro clássico inicia-se com febre alta, mal-estar, tosse, coriza e conjuntivite. As manchas de Koplik podem surgir na mucosa oral antes do exantema e constituem um achado clínico muito característico da doença.

O exantema é tipicamente maculopapular e eritematoso. Em geral, começa na face, próximo à linha de implantação dos cabelos e região retroauricular, progredindo de forma cefalocaudal para pescoço, tronco e extremidades, podendo tornar-se confluente em algumas áreas.

Embora muitos pacientes evoluam para recuperação, o sarampo pode causar complicações importantes, especialmente em crianças pequenas, pessoas imunocomprometidas, gestantes e indivíduos com maior vulnerabilidade clínica. A vacinação é a principal medida de prevenção.

Principais achados
  1. Febre alta associada a mal-estar
  2. Tosse, coriza e conjuntivite
  3. Manchas de Koplik na mucosa oral
  4. Exantema maculopapular eritematoso
  5. Progressão típica da face para tronco e extremidades
  6. Possibilidade de confluência das lesões durante a evolução
Fisiopatologia
Fisiopatologia do sarampo

Após a entrada pelas vias respiratórias, o vírus infecta células do sistema imune e se replica em tecidos linfoides regionais. Em seguida ocorre disseminação sistêmica por viremia, com acometimento de diferentes tecidos. O exantema reflete, em grande parte, a resposta imune celular contra células infectadas na pele.

Fisiopatologia do sarampo
Características Clínicas

A evolução clínica do sarampo costuma ocorrer em fases. Após o período de incubação, surge um pródromo febril com tosse, coriza e conjuntivite, seguido pelo aparecimento das manchas de Koplik e, posteriormente, pelo exantema cutâneo.

Do ponto de vista dermatológico, o padrão de distribuição do exantema é especialmente útil: as lesões geralmente começam na face e avançam progressivamente para o tronco e membros.

Febre e pródromo

Febre alta, mal-estar, tosse, coriza e conjuntivite costumam anteceder a erupção cutânea.

Manchas de Koplik

Pequenas lesões esbranquiçadas ou azul-esbranquiçadas sobre base eritematosa, observadas principalmente na mucosa jugal.

Exantema maculopapular

Erupção eritematosa formada por máculas e pápulas, que pode tornar-se confluente em determinadas áreas.

Progressão cefalocaudal

O exantema geralmente inicia na face e região retroauricular e progride para pescoço, tronco, braços e membros inferiores.

Confluência

À medida que a erupção se intensifica, lesões próximas podem se unir, sobretudo na face e na porção superior do tronco.

Evolução do exantema

O rash surge após o pródromo e tende a regredir na mesma direção em que apareceu, podendo deixar hiperpigmentação transitória e descamação fina.

Complicações respiratórias

Otite média e pneumonia estão entre as complicações mais importantes, especialmente em grupos vulneráveis.

Complicações neurológicas

Encefalite pode ocorrer e representa uma complicação grave, exigindo avaliação médica imediata.

Diagnóstico do Sarampo

A suspeita diagnóstica baseia-se na combinação de febre, manifestações respiratórias, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema maculopapular de progressão típica, sempre considerando o contexto epidemiológico e o estado vacinal.

Por se tratar de doença de relevância para a vigilância epidemiológica, casos suspeitos devem seguir os fluxos oficiais de notificação, investigação e confirmação laboratorial estabelecidos pelas autoridades de saúde.

Avaliação clínica

Considera febre, tosse, coriza, conjuntivite, enantema de Koplik e padrão do exantema.

Exame dermatológico

Avalia morfologia, distribuição, confluência e progressão cefalocaudal das lesões.

RT-PCR

A detecção do RNA viral pode ser utilizada para confirmação laboratorial conforme os protocolos de vigilância.

Sorologia

A pesquisa de anticorpos específicos pode fazer parte da investigação laboratorial, de acordo com o momento clínico e o protocolo adotado.

Contexto epidemiológico

História de exposição, viagem, contato com caso suspeito ou confirmado e situação vacinal ajudam a estimar a probabilidade diagnóstica.

Notificação

A suspeita de sarampo exige atenção aos protocolos locais de vigilância e às medidas de controle para reduzir transmissão.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial inclui outras doenças febris exantemáticas, como rubéola, exantema súbito, eritema infeccioso, dengue, escarlatina e reações medicamentosas, entre outras condições.

A associação entre pródromo respiratório intenso, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema com progressão cefalocaudal é particularmente sugestiva de sarampo.

Galeria Dermatológica

A galeria abaixo reúne dois achados visuais importantes do sarampo: o sinal de Koplik, observado na mucosa oral, e o exantema maculopapular, manifestação cutânea típica da doença.

Sinal de Koplik

As manchas de Koplik são pequenas lesões esbranquiçadas ou azul-esbranquiçadas, frequentemente descritas sobre uma base eritematosa, localizadas principalmente na mucosa jugal. Podem aparecer antes do exantema cutâneo e são um achado clínico altamente característico do sarampo.

Exantema Maculopapular do Sarampo

O exantema do sarampo é eritematoso e maculopapular. Geralmente começa na face, região retroauricular e linha de implantação dos cabelos, disseminando-se progressivamente para pescoço, tronco e extremidades. Durante a evolução, as lesões podem tornar-se confluentes em algumas regiões.

Tratamento do Sarampo

Não há tratamento antiviral específico de rotina para o sarampo. O manejo é principalmente de suporte, com atenção à hidratação, controle da febre, estado nutricional e identificação precoce de complicações.

A conduta deve ser individualizada conforme idade, gravidade, presença de comorbidades e orientações das autoridades sanitárias. Crianças com sarampo podem ter indicação de vitamina A conforme protocolos clínicos e de saúde pública.

Tratamento de suporte

Hidratação, repouso, alimentação adequada e controle sintomático fazem parte do manejo clínico.

Controle dos sintomas

Febre e desconforto podem ser tratados com medidas sintomáticas prescritas conforme avaliação profissional.

Vitamina A

Em crianças, a vitamina A pode ser recomendada no manejo do sarampo conforme idade, condição clínica e protocolos oficiais.

Tratar complicações

Pneumonia, otite, desidratação e outras complicações exigem avaliação e tratamento específico.

Controle de transmissão

O isolamento adequado do caso suspeito ou confirmado e o seguimento das orientações de vigilância ajudam a limitar novos contágios.

Prevenção por vacinação

A vacinação com componente contra o sarampo é a principal estratégia de prevenção da doença e de seus surtos.

Prognóstico e Complicações

A maioria dos pacientes se recupera, mas o sarampo pode evoluir com otite média, pneumonia, diarreia e desidratação. Complicações neurológicas, como encefalite, embora menos frequentes, podem ser graves.

Maior atenção é necessária em crianças pequenas, pessoas imunocomprometidas, gestantes, indivíduos desnutridos e pacientes com sinais de gravidade.

Referências Bibliográficas

As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre sarampo, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e prevenção.

Livros e Referências de Dermatologia/Infectologia
  1. BOLOGNIA, J. L.; SCHAFFER, J. V.; CERRONI, L. Dermatology. 5. ed. Elsevier, 2024.
  2. KANG, S. et al. Fitzpatrick's Dermatology. 9. ed. McGraw-Hill Education, 2019.
  3. BENNETT, J. E.; DOLIN, R.; BLASER, M. J. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. 9. ed. Elsevier, 2020.
  4. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Clinical Overview of Measles.
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Measles.
  6. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sarampo. Portal Saúde de A a Z.
Fontes das Imagens

As imagens utilizadas neste atlas dermatológico possuem finalidade educacional e foram selecionadas ou produzidas para facilitar o reconhecimento das manifestações clínicas do sarampo.

Algumas imagens podem ter sido editadas, diagramadas ou aprimoradas digitalmente para destacar características como manchas de Koplik, exantema maculopapular e padrão de disseminação das lesões.

Observação

Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação médica, protocolos oficiais de vigilância, livros-texto completos ou orientação acadêmica.

Informações Rápidas
Doença
Sarampo
Tipo
Infecção viral aguda, sistêmica e altamente contagiosa
Agente etiológico
Vírus do sarampo, gênero Morbillivirus
Transmissão
Via respiratória por partículas eliminadas por pessoas infectadas
Sintomas comuns
Febre, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema maculopapular
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