Sarampo
Infecção viral aguda e altamente contagiosa, caracterizada por febre, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema maculopapular de progressão cefalocaudal.
Visão Geral
O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, sistêmica e altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo, pertencente ao gênero Morbillivirus. A transmissão ocorre principalmente por via respiratória, por partículas liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
O quadro clássico inicia-se com febre alta, mal-estar, tosse, coriza e conjuntivite. As manchas de Koplik podem surgir na mucosa oral antes do exantema e constituem um achado clínico muito característico da doença.
O exantema é tipicamente maculopapular e eritematoso. Em geral, começa na face, próximo à linha de implantação dos cabelos e região retroauricular, progredindo de forma cefalocaudal para pescoço, tronco e extremidades, podendo tornar-se confluente em algumas áreas.
Embora muitos pacientes evoluam para recuperação, o sarampo pode causar complicações importantes, especialmente em crianças pequenas, pessoas imunocomprometidas, gestantes e indivíduos com maior vulnerabilidade clínica. A vacinação é a principal medida de prevenção.
- Febre alta associada a mal-estar
- Tosse, coriza e conjuntivite
- Manchas de Koplik na mucosa oral
- Exantema maculopapular eritematoso
- Progressão típica da face para tronco e extremidades
- Possibilidade de confluência das lesões durante a evolução
Após a entrada pelas vias respiratórias, o vírus infecta células do sistema imune e se replica em tecidos linfoides regionais. Em seguida ocorre disseminação sistêmica por viremia, com acometimento de diferentes tecidos. O exantema reflete, em grande parte, a resposta imune celular contra células infectadas na pele.
A evolução clínica do sarampo costuma ocorrer em fases. Após o período de incubação, surge um pródromo febril com tosse, coriza e conjuntivite, seguido pelo aparecimento das manchas de Koplik e, posteriormente, pelo exantema cutâneo.
Do ponto de vista dermatológico, o padrão de distribuição do exantema é especialmente útil: as lesões geralmente começam na face e avançam progressivamente para o tronco e membros.
Febre e pródromo
Febre alta, mal-estar, tosse, coriza e conjuntivite costumam anteceder a erupção cutânea.
Manchas de Koplik
Pequenas lesões esbranquiçadas ou azul-esbranquiçadas sobre base eritematosa, observadas principalmente na mucosa jugal.
Exantema maculopapular
Erupção eritematosa formada por máculas e pápulas, que pode tornar-se confluente em determinadas áreas.
Progressão cefalocaudal
O exantema geralmente inicia na face e região retroauricular e progride para pescoço, tronco, braços e membros inferiores.
Confluência
À medida que a erupção se intensifica, lesões próximas podem se unir, sobretudo na face e na porção superior do tronco.
Evolução do exantema
O rash surge após o pródromo e tende a regredir na mesma direção em que apareceu, podendo deixar hiperpigmentação transitória e descamação fina.
Complicações respiratórias
Otite média e pneumonia estão entre as complicações mais importantes, especialmente em grupos vulneráveis.
Complicações neurológicas
Encefalite pode ocorrer e representa uma complicação grave, exigindo avaliação médica imediata.
A suspeita diagnóstica baseia-se na combinação de febre, manifestações respiratórias, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema maculopapular de progressão típica, sempre considerando o contexto epidemiológico e o estado vacinal.
Por se tratar de doença de relevância para a vigilância epidemiológica, casos suspeitos devem seguir os fluxos oficiais de notificação, investigação e confirmação laboratorial estabelecidos pelas autoridades de saúde.
Avaliação clínica
Considera febre, tosse, coriza, conjuntivite, enantema de Koplik e padrão do exantema.
Exame dermatológico
Avalia morfologia, distribuição, confluência e progressão cefalocaudal das lesões.
RT-PCR
A detecção do RNA viral pode ser utilizada para confirmação laboratorial conforme os protocolos de vigilância.
Sorologia
A pesquisa de anticorpos específicos pode fazer parte da investigação laboratorial, de acordo com o momento clínico e o protocolo adotado.
Contexto epidemiológico
História de exposição, viagem, contato com caso suspeito ou confirmado e situação vacinal ajudam a estimar a probabilidade diagnóstica.
Notificação
A suspeita de sarampo exige atenção aos protocolos locais de vigilância e às medidas de controle para reduzir transmissão.
O diagnóstico diferencial inclui outras doenças febris exantemáticas, como rubéola, exantema súbito, eritema infeccioso, dengue, escarlatina e reações medicamentosas, entre outras condições.
A associação entre pródromo respiratório intenso, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema com progressão cefalocaudal é particularmente sugestiva de sarampo.
A galeria abaixo reúne dois achados visuais importantes do sarampo: o sinal de Koplik, observado na mucosa oral, e o exantema maculopapular, manifestação cutânea típica da doença.
As manchas de Koplik são pequenas lesões esbranquiçadas ou azul-esbranquiçadas, frequentemente descritas sobre uma base eritematosa, localizadas principalmente na mucosa jugal. Podem aparecer antes do exantema cutâneo e são um achado clínico altamente característico do sarampo.
O exantema do sarampo é eritematoso e maculopapular. Geralmente começa na face, região retroauricular e linha de implantação dos cabelos, disseminando-se progressivamente para pescoço, tronco e extremidades. Durante a evolução, as lesões podem tornar-se confluentes em algumas regiões.
Não há tratamento antiviral específico de rotina para o sarampo. O manejo é principalmente de suporte, com atenção à hidratação, controle da febre, estado nutricional e identificação precoce de complicações.
A conduta deve ser individualizada conforme idade, gravidade, presença de comorbidades e orientações das autoridades sanitárias. Crianças com sarampo podem ter indicação de vitamina A conforme protocolos clínicos e de saúde pública.
Tratamento de suporte
Hidratação, repouso, alimentação adequada e controle sintomático fazem parte do manejo clínico.
Controle dos sintomas
Febre e desconforto podem ser tratados com medidas sintomáticas prescritas conforme avaliação profissional.
Vitamina A
Em crianças, a vitamina A pode ser recomendada no manejo do sarampo conforme idade, condição clínica e protocolos oficiais.
Tratar complicações
Pneumonia, otite, desidratação e outras complicações exigem avaliação e tratamento específico.
Controle de transmissão
O isolamento adequado do caso suspeito ou confirmado e o seguimento das orientações de vigilância ajudam a limitar novos contágios.
Prevenção por vacinação
A vacinação com componente contra o sarampo é a principal estratégia de prevenção da doença e de seus surtos.
A maioria dos pacientes se recupera, mas o sarampo pode evoluir com otite média, pneumonia, diarreia e desidratação. Complicações neurológicas, como encefalite, embora menos frequentes, podem ser graves.
Maior atenção é necessária em crianças pequenas, pessoas imunocomprometidas, gestantes, indivíduos desnutridos e pacientes com sinais de gravidade.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre sarampo, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e prevenção.
- BOLOGNIA, J. L.; SCHAFFER, J. V.; CERRONI, L. Dermatology. 5. ed. Elsevier, 2024.
- KANG, S. et al. Fitzpatrick's Dermatology. 9. ed. McGraw-Hill Education, 2019.
- BENNETT, J. E.; DOLIN, R.; BLASER, M. J. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. 9. ed. Elsevier, 2020.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Clinical Overview of Measles.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Measles.
- BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sarampo. Portal Saúde de A a Z.
As imagens utilizadas neste atlas dermatológico possuem finalidade educacional e foram selecionadas ou produzidas para facilitar o reconhecimento das manifestações clínicas do sarampo.
Algumas imagens podem ter sido editadas, diagramadas ou aprimoradas digitalmente para destacar características como manchas de Koplik, exantema maculopapular e padrão de disseminação das lesões.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação médica, protocolos oficiais de vigilância, livros-texto completos ou orientação acadêmica.
