Oncocercose
Infecção parasitária por Onchocerca volvulus, transmitida por moscas do gênero Simulium, capaz de provocar inflamação ocular crônica, queratite, uveíte, lesões retinianas e perda visual.
Visão Geral
A oncocercose, também conhecida como “cegueira dos rios”, é uma doença parasitária causada pelo nematódeo Onchocerca volvulus, transmitido por picadas repetidas de moscas negras do gênero Simulium.
No olho, a resposta inflamatória contra microfilárias pode comprometer a conjuntiva, córnea, câmara anterior, úvea, retina e nervo óptico, produzindo desde irritação ocular até perda visual progressiva.
As manifestações oftalmológicas incluem hiperemia conjuntival, prurido, fotofobia, lacrimejamento, ceratite puntata, ceratite esclerosante, uveíte anterior, coriorretinite e atrofia óptica.
O reconhecimento precoce é importante para reduzir inflamação ocular, orientar investigação epidemiológica e iniciar tratamento antiparasitário adequado, principalmente em pacientes provenientes de áreas endêmicas.
- Hiperemia e irritação conjuntival
- Prurido ocular e lacrimejamento
- Fotofobia e sensação de corpo estranho
- Ceratite puntata e opacidades corneanas
- Uveíte anterior e inflamação crônica
- Perda visual por ceratite esclerosante, coriorretinite ou atrofia óptica
A oncocercose pode envolver a conjuntiva e o segmento anterior do olho, mas também pode atingir córnea, úvea, retina e nervo óptico, explicando seu potencial de causar baixa visual progressiva.
A oncocercose ocular resulta da presença de microfilárias e da resposta inflamatória desencadeada no olho, especialmente em indivíduos expostos a áreas endêmicas.
A gravidade varia conforme a carga parasitária, a duração da infecção e as estruturas acometidas, podendo evoluir de conjuntivite crônica para queratite, uveíte e lesões do polo posterior.
Inflamação conjuntival
Pode haver hiperemia, prurido, lacrimejamento e irritação ocular crônica, principalmente quando há microfilárias no segmento anterior.
Ceratite puntata
Pequenas opacidades puntiformes na córnea podem surgir por reação inflamatória às microfilárias, causando fotofobia e desconforto visual.
Ceratite esclerosante
Em fases avançadas, a inflamação pode levar a opacificação corneana progressiva, com redução importante da transparência e da visão.
Uveíte anterior
A inflamação intraocular pode se manifestar como uveíte anterior, dor, fotofobia, hiperemia e piora da acuidade visual.
Lesões coriorretinianas
A doença pode acometer retina e coroide, provocando alterações pigmentares, atrofia e perda visual quando o polo posterior é afetado.
Atrofia óptica
A inflamação crônica e o dano ocular avançado podem estar associados a comprometimento do nervo óptico e perda visual irreversível.
Nódulos subcutâneos
Além do acometimento ocular, podem existir nódulos subcutâneos com vermes adultos, ajudando na suspeita clínica em áreas endêmicas.
Evolução crônica
A doença costuma ter evolução lenta e cumulativa, com maior risco de dano ocular em infecções prolongadas e sem controle antiparasitário.
O diagnóstico da oncocercose combina história epidemiológica, exame clínico, avaliação dermatológica e exame oftalmológico detalhado, especialmente em pacientes de áreas endêmicas ou com exposição a moscas negras.
A investigação busca demonstrar microfilárias, reconhecer lesões oculares relacionadas à inflamação e diferenciar a doença de outras causas infecciosas ou inflamatórias de conjuntivite, ceratite, uveíte e baixa visual.
Exame oftalmológico
Avalia acuidade visual, hiperemia, fotofobia, sinais de inflamação do segmento anterior e alterações compatíveis com ceratite, uveíte ou dano posterior.
Fundoscopia
A lâmpada de fenda permite identificar conjuntivite, microfilárias no segmento anterior, ceratite puntata, ceratite esclerosante e sinais de uveíte.
Pesquisa de microfilárias
A demonstração de microfilárias em amostras de pele ou em avaliação ocular especializada fortalece o diagnóstico da infecção por O. volvulus.
Biópsia de pele superficial
O “skin snip” pode ser utilizado para pesquisar microfilárias na pele, especialmente em contexto epidemiológico compatível.
Fundoscopia
Avalia coriorretinite, alterações pigmentares, atrofia retinocoroidiana e sinais de comprometimento do nervo óptico.
Testes sorológicos ou moleculares
Podem auxiliar em cenários específicos, principalmente quando a pesquisa direta é negativa ou quando há necessidade de confirmação em contexto epidemiológico.
A oncocercose ocular deve ser diferenciada de tracoma, ceratites infecciosas, uveítes de outras causas, toxocaríase ocular, toxoplasmose, sífilis, tuberculose ocular e outras causas de coriorretinite ou neuropatia óptica.
A história de exposição em área endêmica, a presença de manifestações cutâneas e a identificação de microfilárias ajudam a direcionar o diagnóstico correto.
Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas relacionadas à oncocercose ocular e às principais alterações inflamatórias associadas.
O tratamento da oncocercose busca reduzir a carga de microfilárias, controlar a transmissão e prevenir progressão das lesões cutâneas e oculares.
A ivermectina é a principal medicação utilizada para reduzir microfilárias; o acompanhamento oftalmológico é importante para tratar inflamação ocular, complicações e sequelas visuais.
Ivermectina
É o tratamento antiparasitário de escolha para matar microfilárias e reduzir o risco de progressão das manifestações cutâneas e oculares.
Tratamento periódico
Como a ivermectina não elimina diretamente os vermes adultos, podem ser necessárias doses repetidas ao longo de anos conforme protocolos de controle.
Avaliar coinfecção por Loa loa
Em regiões onde há risco de Loa loa, a estratégia terapêutica deve ser individualizada devido ao risco de eventos adversos graves.
Doxiciclina em casos selecionados
Pode ser considerada por especialista para reduzir bactérias endossimbiontes Wolbachia e afetar a fertilidade dos vermes adultos.
Controle da inflamação ocular
Uveíte, ceratite e outras complicações devem ser manejadas por oftalmologista, com tratamento direcionado conforme atividade inflamatória e sequelas.
Prevenção de transmissão
Medidas coletivas incluem controle vetorial e tratamento em massa em áreas endêmicas para reduzir microfilaremia e transmissão comunitária.
O prognóstico visual depende da precocidade do diagnóstico, da extensão do dano ocular e da adesão às estratégias de tratamento e controle em áreas endêmicas.
Casos avançados podem evoluir com opacificação corneana, uveíte crônica, lesões coriorretinianas, atrofia óptica e perda visual irreversível.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre oncocercose ocular e suas manifestações oftalmológicas.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Onchocerciasis. Fact sheet. Geneva: WHO, 2025.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Clinical Treatment of Onchocerciasis. Atlanta: CDC, 2024.
- KANSKI, J. J.; BOWLING, B. Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier, 2020.
- YANOFF, M.; DUKER, J. S. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier, 2022.
- AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. Basic and Clinical Science Course (BCSC). San Francisco: AAO, 2024.
As imagens utilizadas neste atlas oftalmológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações anatômicas didáticas.
Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação das alterações da conjuntiva, córnea, segmento anterior e fundo de olho associadas à oncocercose.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação oftalmológica especializada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.
