Atlas de Oftalmologia

Pingécula

Lesão degenerativa benigna da conjuntiva bulbar, geralmente amarelada e elevada, localizada próxima ao limbo corneano, mais comum na região interpalpebral nasal.

Superfície ocular Conjuntiva bulbar Exposição solar
Visão Geral
Características
Diagnóstico
Galeria
Tratamento
Referências
Pingécula

Visão Geral

A pingécula é uma alteração degenerativa benigna da conjuntiva bulbar, caracterizada por uma pequena elevação amarelada ou esbranquiçada próxima ao limbo corneano.

Costuma surgir na região interpalpebral, principalmente no lado nasal, e está relacionada à exposição crônica à radiação ultravioleta, poeira, vento, ressecamento ocular e irritantes ambientais.

Na maioria dos casos, é assintomática e percebida apenas como uma mancha ou saliência na superfície ocular. Em alguns pacientes, pode causar sensação de corpo estranho, vermelhidão, ardor, lacrimejamento e irritação.

Apesar de estar próxima à córnea, a pingécula não invade o tecido corneano, diferentemente do pterígio. O tratamento geralmente é conservador, com lubrificação ocular e controle da inflamação quando necessário.

Principais achados
  1. Lesão elevada, amarelada ou esbranquiçada na conjuntiva bulbar
  2. Localização próxima ao limbo corneano
  3. Mais comum na região nasal interpalpebral
  4. Não invade a córnea
  5. Pode causar irritação, vermelhidão e sensação de corpo estranho
  6. Associada à exposição solar, vento, poeira e ressecamento ocular
Estrutura em destaque
Estrutura em destaque da pingécula

A estrutura mais acometida é a conjuntiva bulbar, especialmente próxima ao limbo corneano, onde ocorre depósito degenerativo subepitelial que forma a elevação característica.

Estrutura em destaque da pingécula
Características Clínicas

A pingécula é uma lesão degenerativa da superfície ocular, geralmente pequena, elevada e de coloração amarelada, localizada na conjuntiva bulbar próxima à córnea.

Embora seja uma condição benigna, pode inflamar, causando pingueculite, com vermelhidão localizada, desconforto ocular e sensação de irritação.

Lesão conjuntival elevada

Apresenta-se como uma pequena saliência na conjuntiva bulbar, geralmente de coloração amarelada ou esbranquiçada.

Próxima ao limbo

Costuma estar localizada próxima à transição entre conjuntiva e córnea, principalmente no setor nasal da superfície ocular.

Não invade a córnea

Diferente do pterígio, a pingécula permanece restrita à conjuntiva e não cresce sobre a superfície corneana.

Relação com radiação UV

A exposição crônica ao sol é um dos principais fatores associados ao surgimento da pingécula.

Irritantes ambientais

Vento, poeira, clima seco e poluição podem contribuir para irritação ocular e desenvolvimento da lesão.

Ressecamento ocular

Pode estar associada à instabilidade do filme lacrimal, causando ardor, sensação de areia e desconforto.

Geralmente sem baixa visual

Na maioria dos casos, não compromete a acuidade visual, pois não acomete o eixo visual nem invade a córnea.

Pode inflamar

Quando inflamada, pode causar pingueculite, com hiperemia localizada, dor leve, ardor e irritação ocular.

Diagnóstico da Pingécula

O diagnóstico da pingécula é essencialmente clínico, realizado por meio da inspeção da superfície ocular e da biomicroscopia com lâmpada de fenda.

A avaliação oftalmológica permite diferenciar a pingécula de outras lesões conjuntivais, especialmente o pterígio, que apresenta crescimento fibrovascular sobre a córnea.

Inspeção ocular

Identifica uma pequena elevação amarelada ou esbranquiçada na conjuntiva bulbar, próxima ao limbo corneano.

Biomicroscopia

Permite avaliar os limites da lesão, sua relação com a córnea, sinais de inflamação e alterações associadas da superfície ocular.

Avaliação de inflamação

Hiperemia localizada, edema e desconforto sugerem pingueculite, uma inflamação da pingécula.

Filme lacrimal

A avaliação da lubrificação ocular pode ser útil em pacientes com ardor, sensação de areia e sintomas de olho seco.

Acompanhamento

O seguimento pode ser indicado quando há crescimento, inflamações recorrentes, sintomas persistentes ou dúvida diagnóstica.

Diagnóstico clínico

Na maioria dos casos, não são necessários exames complementares, sendo o aspecto clínico suficiente para o diagnóstico.

Diagnóstico diferencial

A pingécula deve ser diferenciada principalmente do pterígio, que invade a córnea, além de lesões conjuntivais pigmentadas, cistos conjuntivais, episclerite, neoplasias da superfície ocular e corpos estranhos.

Crescimento rápido, alteração de coloração, vascularização atípica, sangramento, dor importante ou assimetria marcada devem motivar avaliação oftalmológica mais detalhada.

Galeria Oftalmológica

Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas relacionadas à pingécula e suas principais apresentações na superfície ocular.

Tratamento da Pingécula

O tratamento da pingécula geralmente é conservador, pois a condição é benigna e, na maior parte dos casos, não causa prejuízo visual.

A conduta é direcionada ao controle dos sintomas, redução da inflamação quando presente e prevenção da irritação crônica da superfície ocular.

Lubrificantes oculares

Lágrimas artificiais ajudam a reduzir ardor, sensação de areia, ressecamento e irritação ocular.

Proteção solar

Óculos com proteção UV e bonés podem reduzir a exposição solar e ajudar na prevenção de irritação recorrente.

Evitar irritantes

Poeira, vento, fumaça e ambientes muito secos podem piorar os sintomas e devem ser evitados quando possível.

Controle da inflamação

Em casos de pingueculite, colírios anti-inflamatórios podem ser indicados pelo oftalmologista por curto período.

Acompanhamento clínico

Lesões estáveis e assintomáticas geralmente precisam apenas de observação e orientação preventiva.

Cirurgia em casos selecionados

A remoção cirúrgica pode ser considerada quando há desconforto persistente, inflamação recorrente ou incômodo estético importante.

Prognóstico Visual

O prognóstico da pingécula é excelente, pois se trata de uma condição benigna e geralmente estável, sem comprometimento da visão.

A principal atenção deve ser voltada ao controle de sintomas irritativos, prevenção de inflamações recorrentes e diferenciação em relação a lesões que invadem a córnea ou apresentam características atípicas.

Referências Bibliográficas

As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre pingécula e doenças da superfície ocular.

Livros e Atlas de Oftalmologia
  1. KANSKI, J. J.; BOWLING, B. Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier, 2020.
  2. YANOFF, M.; DUKER, J. S. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier, 2022.
  3. AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. Basic and Clinical Science Course (BCSC): External Disease and Cornea. San Francisco: AAO, 2024.
  4. REMINGTON, L. A. Clinical Anatomy and Physiology of the Visual System. 4. ed. Elsevier, 2021.
Fontes das Imagens

As imagens utilizadas neste atlas oftalmológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações anatômicas didáticas.

Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação das alterações da superfície ocular, da conjuntiva bulbar e da região próxima ao limbo corneano.

Observação

Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação oftalmológica especializada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.

Informações Rápidas
Doença
Pingécula
Tipo
Lesão degenerativa benigna da superfície ocular
Estrutura afetada
Conjuntiva bulbar, geralmente próxima ao limbo
Fatores associados
Radiação UV, poeira, vento, clima seco e irritação crônica
Sintomas comuns
Ardor, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de areia quando sintomática
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